Na sexta-feira (23), o secretário municipal de Saúde de João Pessoa, Luís Ferreira Filho, afirmou que pacientes vítimas de Acidente Vascular Cerebral (AVC) encontram um impasse no atendimento. Durante entrevista ao programa Arapuan Verdade, do Sistema Arapuan de Comunicação, o gestor declarou que “não tem para onde ir” ao relatar a falta de equipamentos e protocolos definidos entre o Município e o Estado.
Segundo Ferreira Filho, a ausência de pactuação entre as esferas estadual e municipal compromete o acesso imediato dos pacientes a serviços essenciais. Ele advertiu que a demora ou a recusa no encaminhamento coloca em risco a recuperação, fazendo com que muitos indivíduos percam funções motoras, desenvolvam sequelas graves e, em casos mais críticos, não resistam às complicações.
O secretário informou que todas as negativas de atendimento registradas nos últimos três meses foram notificadas ao Ministério Público, onde estão sendo contabilizadas para futuras apurações. “Estamos documentando cada caso de recusa para que seja definida, de forma clara, a responsabilidade de ambos os entes federados”, explicou.
Ferreira Filho destacou a necessidade de uma definição formal por meio de um termo de pactuação. Sem esse acordo, pacientes com AVC originários de João Pessoa permanecem sem encaminhamento seguro, o que agrava o quadro clínico e amplia a mortalidade em decorrência de atrasos no tratamento especializado.
Ele alertou ainda que, caso o Estado opte por não receber mais esses pacientes, será imprescindível estabelecer um período de transição. Esse prazo permitiria à rede municipal estruturar leitos de terapia intensiva, unidades de AVC e serviço de neuroimagem, além de capacitar equipes multidisciplinares para atendimento urgente.
De acordo com o secretário, a Secretaria Municipal de Saúde monitora essa situação anômala há aproximadamente 90 dias. Durante esse período, nenhum avanço na pactuação foi apresentado pelas autoridades estaduais, o que mantém os pacientes em situação de vulnerabilidade e sem um destino certo após o primeiro atendimento em pronto-socorro.
Até o momento, não há previsão de nova rodada de negociação entre Prefeitura e Governo do Estado. A expectativa, segundo Ferreira Filho, é que a definição ocorra em caráter emergencial para evitar o colapso no atendimento a vítimas de AVC em João Pessoa.
Sem a formalização do acordo, a rede municipal de saúde aguarda orientações e apoio técnico para suprir as demandas urgentes e garantir o fluxo adequado de pacientes que necessitam de cuidados neurológicos imediatos.
Com informações de Paraiba



