Transmissão: Band | YouTube

O padre Danilo César, responsável pela paróquia de São José, em Areial (Agreste da Paraíba), fez um pedido público de desculpas à família da cantora Preta Gil durante uma missa, após acordos firmados na Justiça. O pronunciamento ocorreu no altar da paróquia e foi transmitido ao vivo pelo canal da igreja no YouTube, buscando colocar a retratação no mesmo espaço em que as declarações polêmicas foram proferidas.

No texto lido durante a homilia, o sacerdote reconheceu que as palavras ditas na homilia de 27 de julho de 2025 foram ofensivas e causaram dor aos parentes da artista. Ele mencionou diretamente membros da família Gil, como Gilberto Gil e Flora Gil, e expressou arrependimento em relação às referências feitas à memória de Preta Gil.

O documento de retratação integra um acordo homologado na Justiça Cível do Rio de Janeiro, que também envolve a Diocese de Campina Grande, à qual a paróquia está vinculada. Como parte do termo, está prevista a doação de oito cestas básicas a uma instituição social.

Além do acordo civil, Danilo César havia firmado um compromisso com o Ministério Público Federal que o eximiu de responsabilização criminal mediante o cumprimento de contrapartidas. Entre as obrigações previstas nesse acordo estão a participação em ato inter-religioso; a elaboração de três resenhas manuscritas sobre obras indicadas (incluindo A Justiça e a Mulher Negra, de Lívia Santana, e Cultos Afro-Paraibanos, de Valdir Lima) e do documentário Obatalá, o Pai da Criação; a realização de 60 horas de cursos certificados sobre intolerância religiosa, e o pagamento de R$ 4.863,00 por meio de Pix à Associação de Apoio aos Assentamentos e Comunidades Afrodescendentes (AACADE).

As declarações que motivaram as denúncias foram proferidas durante missa transmitida pela paróquia e relacionaram a fé em tradições afro-indígenas à morte e ao sofrimento da cantora, que, segundo registros apresentados na apuração, morreu nos Estados Unidos em decorrência de um câncer colorretal. Na ocasião, o padre qualificou práticas religiosas de matriz africana como ocultas e fez comentários que geraram forte repercussão nas redes sociais e em organismos de defesa da liberdade religiosa.

A Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria, da região de Areial, considerou as falas preconceituosas. O presidente da entidade, Rafael Generiano, registrou boletim de ocorrência contra o padre por intolerância religiosa, o que motivou as ações que culminaram nos acordos com o MPF e com a família da artista.

A missa em que foi feita a retratação foi gravada e mantida no canal da paróquia como registro público do pedido de desculpas.

Com informações de G1