Faltando duas semanas para o início das convenções partidárias, os palanques regionais para a disputa presidencial de 2026 já estão delineados na Paraíba. Pré-candidatos ao Governo e ao Senado no estado vêm alinhando suas estratégias eleitorais aos projetos nacionais dos presidenciáveis.

Quem reúne mais apoios

Com votação majoritária na Paraíba, o presidente Lula (PT) aparece como o candidato com maior número de aliados locais. Segundo as articulações em curso, o petista tem representação em três chapas estaduais, que abrangem desde a base governista até setores da oposição.

O governador e pré-candidato à reeleição Lucas Ribeiro (PP) declarou publicamente apoio à reeleição de Lula, apesar de não ter trajetória política identificada à esquerda. Nos últimos meses, defendeu voto no presidente, elogiou o governo federal e assegurou a integração do PT no governo estadual.

Na chapa governista também há declarações de apoio a Lula por parte dos pré-candidatos ao Senado João Azevêdo (PSB) e Nabor Wanderley (Republicanos). O apoio público do presidente, contudo, foi formalizado especialmente ao ex-governador João Azevêdo e ao senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB), este último da oposição e candidato à reeleição.

Veneziano tem relação próxima com o Palácio do Planalto e tem explorado essa convivência durante a pré-campanha; o presidente chegou a gravar um vídeo público em apoio ao senador, divulgado nas redes sociais. O ex-prefeito de João Pessoa Cícero Lucena (MDB), integrante da chapa oposicionista com Veneziano, mostrou anteriormente voto e admiração por Lula, mas, após o PT anunciar apoio a Lucas Ribeiro, sinalizou que não pretende vincular sua campanha à disputa presidencial, optando por deixar livre a escolha dos eleitores para evitar que a polarização influencie o debate estadual.

Também nas hostes do PSOL, o pré-candidato Olímpio Rocha tem apresentado nas redes sociais alinhamento ideológico com Lula, colocando-se como representante do espectro progressista que apoia o presidente. A candidatura de Olímpio, porém, é descrita como menor em estrutura e capilaridade.

Palanque de Flávio Bolsonaro na Paraíba

Na oposição, o palanque ligado ao senador Flávio Bolsonaro (PL) está concentrado em duas pré-candidaturas. O senador Efraim Filho (PL) é o principal articulador do projeto de Flávio no estado; a aliança foi formalizada em março, com aval do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na mesma chapa, o ex-ministro da Saúde Marcelo Queiroga disputa uma vaga ao Senado como um dos nomes mais próximos de Flávio na Paraíba. A estratégia desse bloco tem sido apostar na fidelização do eleitorado bolsonarista em um cenário de polarização. Em 2022, Jair Bolsonaro obteve cerca de 30% dos votos no primeiro turno no estado.

Apoios isolados a Caiado e Zema

Outros pré-candidatos presidenciais, como o ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado (PSD) e o ex-governador de Minas Gerais Romeu Zema (Novo), chegam ao período das convenções com apoios pontuais, mas sem palanques estaduais robustos.

No caso de Caiado, há o apoio do pré-candidato a vice-governador Diogo Cunha Lima (PSD), e a expectativa de apoio de Pedro Cunha Lima, presidente do PSD na Paraíba, embora o cabeça de chapa Cícero Lucena não tenha sinalizado adesão ao alinhamento. Romeu Zema, por sua vez, tem até agora apenas a declaração de apoio do pré-candidato ao Senado Major Fábio (Novo), que não integra chapa com postulantes ao Governo do Estado.

Caiado e Zema participaram das festas do “O Maior São João do Mundo”, em Campina Grande, em junho, mas permanecem sem palanques competitivos na disputa pelo governo estadual.

Historicamente, apoio nacional nem sempre determina resultados na Paraíba: em 2006, Cássio Cunha Lima foi eleito governador mesmo com José Maranhão contando com o apoio do então presidente Lula.

O próximo passo para os postulantes estaduais são as convenções partidárias, marcadas para o período de 20 de julho a 05 de agosto, quando serão oficialmente confirmadas candidaturas e alianças.

Com informações de Jornaldaparaiba