O panetone, ícone das celebrações de fim de ano, ganhou destaque no quadro “Do Grão ao Pão”, exibido toda sexta-feira na Rádio Caturité FM. Nesta edição, o especialista em panificação Norival Monteiro revisitou a trajetória da iguaria, que surgiu no século XV, em Milão, e chegou ao Brasil com os imigrantes italianos.
Origem cercada de lendas
Segundo Monteiro, duas histórias despontam como possíveis nascimentos do doce. A primeira relata que um ajudante de cozinha, chamado Tony, adicionou frutas secas, manteiga e ovos a um pão doce para evitar que a corte ficasse sem sobremesa. O sucesso foi tamanho que o conde batizou a receita de “Pane di Tony”.
Outra versão aponta para um aristocrata apaixonado pela filha de um padeiro. Para se aproximar da jovem, ele se fez passar por ajudante e criou um pão enriquecido com frutas cristalizadas e uvas-passas.
Características do pão doce
Monteiro ressalta que o panetone é um pão de alta concentração de gordura, açúcar e ovos. A fermentação natural, explica, prolonga a vida útil, intensifica o sabor e confere a textura de fios quando o miolo é puxado.
Chegada ao Brasil
Com a imigração italiana no século XIX, famílias trouxeram a massa madre e preparavam o panetone apenas para consumo próprio. A popularização começou no início do século XX, principalmente em São Paulo.
Na década de 1960, o italiano Carlo Bauducco abriu uma doceria e, depois, uma fábrica em Guarulhos (SP), tornando-se o maior produtor mundial do produto.
Imagem: Paraibaline
Reinvenção brasileira
A criatividade local ampliou o cardápio. O chocotone, que troca as frutas por gotas de chocolate, nasceu no Brasil. Hoje, há versões trufadas, com doce de leite, pistache, maracujá e até opções salgadas, como carne-seca com queijo provolone.
De sobremesa sazonal, o panetone passou a ser consumido em qualquer época. “É um pão que gradualmente vem fazendo parte do calendário permanente”, concluiu Norival Monteiro.
Com informações de ParaibaOnline



