Um homem morreu no Hospital Universitário Alcides Carneiro (HUAC), em Campina Grande, no último domingo (4), e confirmou-se a primeira morte por raiva humana na Paraíba desde 2020. O paciente, que não teve a identidade revelada, foi mordido por um sagui em setembro de 2025 e não buscou atendimento médico imediato, segundo a Diretoria de Vigilância em Saúde do município.

Primeiros sinais e evolução do quadro

Os sintomas iniciais surgiram em 10 de dezembro. Três dias depois, o homem foi hospitalizado e, diante da piora clínica, transferido para a unidade de terapia intensiva do HUAC. Em 22 de dezembro, a Secretaria de Saúde de Campina Grande confirmou o diagnóstico de raiva humana.

Entre as queixas relatadas na admissão hospitalar estavam agitação mental e física, confusão, alteração do nível de consciência, aerofobia, falta de ar e queda da oxigenação sanguínea. A equipe de Vigilância em Saúde adotou medidas imediatas para identificar pessoas que possam ter sido expostas ao animal e localizar o ponto exato da infecção.

Histórico recente de mortes no estado

Antes do caso atual, a Paraíba registrara duas mortes por raiva humana na última década. O episódio mais recente, em 2020, ocorreu em Riacho dos Cavalos, no Sertão. Na ocasião, uma mulher de 68 anos foi mordida por uma raposa em 8 de abril. Apesar de procurar uma Unidade Básica de Saúde no dia seguinte, o quadro evoluiu para delírios, espasmos e agitação psicomotora. Ela foi transferida para o Hospital Universitário Lauro Wanderley, em João Pessoa, e morreu em 13 de julho.

Em 2015, uma criança de 1 ano e oito meses foi mordida por um gato em Jacaraú, no Litoral Norte do estado. O menino apresentou sintomas um mês depois e foi levado ao Hospital Monsenhor Pedro Moura, em Nova Cruz (RN), onde faleceu em 20 de agosto daquele ano.

Sobre a doença

De acordo com o Ministério da Saúde, a raiva é provocada por vírus do gênero Lyssavirus e causa inflamação no cérebro. A transmissão ao ser humano ocorre, principalmente, pela saliva de animais infectados, via mordedura, mas também pode acontecer por arranhadura ou lambedura. O período de incubação varia de alguns dias a anos, com média de 45 dias em adultos e tempo reduzido em crianças.

Os sintomas iniciais incluem mal-estar geral, náuseas, irritabilidade, leve aumento de temperatura corporal, dor de cabeça e sensação de angústia. Sem intervenção rápida, a doença normalmente evolui para insuficiência respiratória e morte.

Com o novo óbito, autoridades sanitárias reforçam a orientação de que, em caso de mordida, arranhão ou contato de saliva de animais com mucosas, a vítima deve procurar atendimento médico imediato para avaliação e, se necessário, administração da profilaxia pós-exposição.

Com informações de G1