Um seminário realizado nesta segunda-feira (28) no Casarão Epifânio Sobreira, sede da Secretaria de Cultura de Cajazeiras e da Academia Cajazeirense de Artes e Letras (ACAL), reuniu pesquisadores e autores para marcar o centenário da invasão do cangaceiro Sabino Gomes e seu bando ao município, ocorrida em 28 de setembro de 1926.

O encontro, intitulado “100 Anos da Invasão dos Cangaceiros a Cajazeiras”, contou com mesa-redonda, exibição de uma produção audiovisual sobre o episódio e o lançamento de três obras: Sabino Gomes: O Carcará de Lampião e A Marcha do Cangaço: o Banditismo Sertanejo Vol. 1, ambos de Fabiana Agra, e Maria Bonita: Entre o Punhal e o Afeto, de Nadja Claudino, professora, escritora e presidente da ACAL.

Discussão histórica

Em entrevista ao programa Olho Vivo, da TV e Rede Diário, Fabiana Agra afirmou que o ataque de 1926 precisa ser compreendido em um cenário social e geopolítico mais amplo do Nordeste. Segundo a pesquisadora, o fortalecimento dos bandos cangaceiros na época esteve ligado ao percurso da Coluna Prestes pela região, que teria proporcionado fardamento, armas e munição aos grupos armados.

Ao lado de Nadja Claudino e do professor Dr. Wescley Rodrigues, Fabiana ressaltou também a importância de Cajazeiras naquele período, lembrando que a cidade era uma das mais relevantes do estado da Paraíba na época da invasão.

Biografia e controvérsias sobre Sabino Gomes

Fabiana Agra destacou ainda aspectos biográficos controversos que cercam Sabino Gomes, considerado um homem de confiança de Lampião. A pesquisadora apontou lacunas sobre a origem, ascendência e até a data e local da morte do cangaceiro, citando documentos que indicam divergências — inclusive registros que sugerem que ele poderia ter sido visto vivo em 1937.

A pesquisadora afirmou que parte de sua motivação para estudar Sabino veio da leitura da obra do escritor cajazeirense Ivan Bichara, especialmente o livro Carcará, cuja leitura, segundo ela, altera a percepção sobre o personagem histórico.

O seminário teve como objetivo resgatar a memória local e estimular reflexão sobre o impacto da invasão na história de Cajazeiras, reunindo público e pesquisadores para revisar narrativas e apresentar novas investigações a respeito do episódio e de seus protagonistas.





Com informações de Diariodosertao