A presidente da Petrobras, Magda Chambriard, informou nesta quarta-feira (1º) que a companhia estuda a possibilidade de tornar o Brasil autossuficiente na produção de óleo diesel em até cinco anos.

Chambriard disse, em evento sobre energia promovido pela TV CNN Brasil em São Paulo, que o plano de negócios da estatal originalmente previa alcançar 80% da demanda interna por meio de uma expansão de cerca de 300 mil barris por dia nos próximos cinco anos. Agora, segundo a executiva, a empresa está reavaliando essa meta para verificar a viabilidade de atender 100% da necessidade nacional no mesmo período.

Como pretendem ampliar a produção

Entre as medidas apontadas pela presidente estão ampliações e melhorias em refinarias já em curso. A Refinaria Abreu e Lima (Rnest), em Ipojuca (PE), cuja configuração inicial previa 230 mil barris diários de diesel, terá capacidade elevada para 300 mil barris por dia após intervenções.

Na Refinaria Duque de Caxias (Reduc), no Rio de Janeiro, ações associadas ao Complexo de Energias Boaventura (antigo Comperj) devem elevar a produção da atual marca de 240 mil barris por dia para cerca de 350 mil barris.

Chambriard afirmou ainda que a Petrobras busca aumentar a produção de diesel em todas as suas unidades, citando adaptações nas quatro refinarias localizadas em São Paulo para reduzir a produção de óleo combustível e priorizar a saída de diesel.

Contexto do preço e medidas do governo

O movimento ocorre em meio a uma alta internacional do petróleo motivada pela guerra no Irã. Desde o início do conflito, em 28 de fevereiro, até a semana encerrada em 22 de março, o preço do diesel S10 no Brasil subiu cerca de 23%, segundo o painel da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

No dia 14 de março, a Petrobras aplicou reajuste de R$ 0,38 por litro no diesel. Em resposta à escalada de preços, o governo federal zerou as alíquotas federais de PIS e Cofins sobre o combustível e ofereceu subvenções a produtores e importadores. Há também negociações para que estados adotem subsídio adicional de R$ 1,20 por litro.

Nesta quarta-feira (1º), a estatal anunciou ainda reajuste de 55% no preço do querosene de aviação (QAV), que representa cerca de 30% dos custos das companhias aéreas. O barril do tipo Brent, referência internacional, era negociado pouco acima de US$ 101 (aproximadamente R$ 520) no mesmo dia, frente a cotação próxima de US$ 70 antes do conflito.

O plano de negócios da Petrobras começará a ser discutido em maio, segundo a presidente, com divulgação usualmente programada para novembro.

Com informações de Agência Brasil