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A Petrobras reiterou a intenção de avaliar a recompra da Refinaria de Mataripe, localizada no município de São Francisco do Conde (BA), por meio de um ofício enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM) na terça-feira, 24 de março de 2026. A informação foi prestada em resposta a questionamento formal da autarquia ocorrido no dia anterior, segunda-feira, 23 de março.
Esclarecimento solicitado pela CVM
A atuação da CVM visa esclarecer comunicados e declarações que possam influenciar o mercado de capitais. O pedido de explicações ocorreu após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feitas na sexta-feira, 20 de março, durante visita à refinaria Gabriel Passos, em Betim (MG), quando o chefe do Executivo mencionou a possibilidade de a estatal recomprar Mataripe. Na ocasião, Lula estava acompanhado da presidente da Petrobras, Magda Chambriard.
Resposta da Petrobras
Em sua resposta ao ofício da CVM, a Petrobras afirmou que analisa de forma contínua oportunidades de investimentos e negócios, incluindo uma eventual aquisição da Refinaria de Mataripe S.A. A empresa lembrou que o tema já havia sido tratado em comunicados oficiais publicados em dezembro de 2023 e março de 2024, e acrescentou que, no momento, não existem novos fatos relevantes a serem divulgados.
A estatal declarou ainda seu compromisso com a transparência e afirmou que manterá o mercado informado caso surjam eventos que a empresa considere relevantes sobre o assunto.
Histórico e importância da refinaria
A Refinaria Landulpho Alves, em Mataripe, é a segunda maior do Brasil. Entrou em operação em setembro de 1950 e foi privatizada em 2021, quando foi vendida à Mubadala Capital; a gestora criou a Acelen para operar o ativo. A capacidade de processamento da unidade é de 300 mil barris por dia, o que corresponde a 14% da capacidade nacional de refino.
Entre os produtos fabricados na refinaria estão óleo diesel, gasolina, querosene de aviação (QAV), asfalto, solventes, lubrificantes e gás de cozinha (GLP).
Contexto político e vendas anteriores
A discussão sobre a recomposição do controle estatal sobre ativos do setor ocorre em meio a preocupações do governo com o controle dos preços dos combustíveis, agravadas por distúrbios na produção e transporte de petróleo no mercado internacional relacionados à guerra no Irã. O presidente afirmou na ocasião que a compra pode levar algum tempo, mas que “vamos comprar”.
Além de Mataripe, o governo e setores políticos têm criticado outras privatizações ocorridas na gestão anterior, como a venda da BR Distribuidora à Vibra Energia, que incluiu licença para uso da marca BR até 28 de junho de 2029 e cláusula de não competição.
O assunto permanece em aberto, sujeito a avaliações internas da Petrobras e a eventuais comunicações oficiais futuras.
Com informações de Agência Brasil



