A Polícia Federal realizou no início desta semana a Operação Concorrência Simulada, que mira um esquema de fraudes em concursos públicos conhecido como “Máfia dos Concursos”. Segundo a investigação, o grupo teria atuado inclusive em provas federais, como o Concurso Nacional Unificado (CNU). Foram cumpridos 11 mandados de busca e apreensão e decretadas duas prisões preventivas.
Quem, onde e o que foi cumprido
As ordens judiciais abrangeram endereços na Paraíba, em Alagoas e em Pernambuco. Duas prisões foram efetivadas em João Pessoa. Durante as buscas, a PF apreendeu celulares, notebooks e tablets que, segundo a corporação, podem conter provas das fraudes.
Alvos da investigação
Entre os investigados estão:
- Gustavo Xavier do Nascimento (Delegado-geral da Polícia Civil de Alagoas)
- Eudson Oliveira de Matos
- Ramon Izidoro Soares Alves
- Dárcio de Carvalho Lopes da Silva Souza
- Flavio Luciano Nascimento Borges
- Flávio Pedro da Silva
- Ingrid Luane de Souza Ferreira
- Lariça Saraiva Amando Alencar
- Waldir Luiz de Araújo Gomes
- Mércio Xavier Costa do Nascimento
- Alvanir Gomes da Silva
Além desses, a investigação cita membros da família Limeira — Wanderlan Limeira de Sousa, Wanderson Gabriel de Brito Limeira, Larissa de Oliveira Neves e Valmir Limeira de Souza — que já haviam sido alvos em apurações anteriores sobre fraudes no CNU.
Resumo das suspeitas atribuídas a alguns investigados
Gustavo Xavier é apontado como responsável por pressionar a família que liderava o grupo criminoso para favorecer aprovação de parentes em concursos. Eudson Oliveira de Matos, policial civil, teria sido braço-direito de Gustavo e está relacionado a diversos crimes segundo a PF. Ramon Izidoro, também policial civil e atualmente vereador, é apontado como integrante da organização, repassando informações sobre operações.
Dárcio de Carvalho foi detido em 2017 durante uma prova do Ministério Público do Rio Grande do Norte; na ocasião declarou que recebia R$ 300 por questão respondida. Flavio Luciano, servidor da Caixa Econômica Federal conhecido como “Panda/7777”, foi preso nesta operação e é apontado em conversas como receptor e repassador de imagens de provas e gabaritos. Ambos tiveram suas prisões preventivas decretadas por risco de continuação da atividade criminosa.
Segundo a PF, Flávio Pedro teria atuado em fraude no concurso da Polícia Federal e pode ter sido beneficiado no CNU; Ingrid Luane teria fotografado provas do CNU para envio de respostas via ponto eletrônico; Lariça Saraiva Amando Alencar teria sido aprovada em concurso através de fraude liderada por Thyago Andrade.
Waldir Luiz, servidor do TRE-PB identificado como “Mister M”, é apontado como coordenador de local de prova com acesso a malotes, o que permitia obter e repassar provas antes das aplicações. Mércio Xavier, irmão de Gustavo, apresentou gabarito idêntico ao de outro investigado. Alvanir Gomes é citado como participante de fraudes no concurso da Polícia Federal e beneficiado no CNU.
Na ação, foram apreendidos diversos equipamentos eletrônicos para análise. A decisão judicial que autorizou prisões considerou a atuação reiterada de alguns investigados em fraudes a concursos, justificando as prisões preventivas para evitar a continuidade do esquema.
Com informações de Jornaldaparaiba



