TRANSMISSÃO: Record

A prática de não consumir carne vermelha durante a Semana Santa é uma tradição ligada ao cristianismo que remete ao luto e à lembrança da crucificação de Jesus Cristo. A origem do costume tem raízes judaicas e, ao longo do tempo, passou a ser incorporada como expressão de penitência entre os fiéis.

O hábito de abster-se de carne vermelha não se limita ao Domingo de Páscoa. Ele é observado também na Quarta-Feira de Cinzas, que assinala o início da Quaresma — período de 40 dias dedicado à renovação espiritual e à reflexão religiosa para os cristãos.

Para a Igreja Católica, a renúncia à carne em determinados dias, especialmente às sextas-feiras, funciona como símbolo de penitência e recordação da Paixão de Cristo. O padre Mário Silva explicou ao Jornal da Paraíba que a escolha por uma proteína menos substancial, como o peixe, ajuda o fiel a viver o caráter penitencial do dia: a carne vermelha proporciona maior sensação de saciedade, e reduzir a alimentação contribui para intensificar o sentimento de jejum e sacrifício em memória da Paixão.

Segundo o padre, a prática também tem dimensão comunitária e solidária: abstendo-se, o fiel relembra aqueles que enfrentam privação alimentar involuntária e, assim, é estimulado à caridade e à identificação com o sofrimento alheio.

Posição das igrejas evangélicas

No contexto evangélico, a tradição não tem o mesmo peso nem a mesma obrigatoriedade. O pastor Risonaldo Enedino afirmou que a prática foi formalizada como norma da Igreja Católica Romana no século IX, durante o papado de Nicolau I, e por isso não decorre diretamente de uma lei bíblica. Para a maior parte dos evangélicos — incluindo protestantes, pentecostais, batistas e assembleianos — não há imposição doutrinária para a abstenção de carne vermelha na Sexta-Feira Santa, nem um comando bíblico explícito que proíba esse consumo nesse dia.

Assim, enquanto a prática permanece incorporada ao calendário de piedade católica como expressão de luto e penitência, sua observância varia entre as diferentes tradições cristãs.

Com informações de Jornaldaparaiba