O volume de saques na caderneta de poupança superou os depósitos em R$ 23,5 bilhões em janeiro, segundo dados divulgados nesta sexta-feira (6) pelo Banco Central. As retiradas atingiram R$ 354,7 bilhões, enquanto as aplicações somaram R$ 331,2 bilhões no mês.
Os rendimentos creditados nas contas de poupança totalizaram R$ 6,4 bilhões em janeiro, elevando o estoque da caderneta para pouco mais de R$ 1 trilhão. Esse resultado reforça a tendência de saída de recursos, observada em anos recentes.
Em 2023, o segmento registrou retiradas líquidas de R$ 87,8 bilhões. No ano passado, o saldo negativo também se manteve expressivo, com R$ 15,5 bilhões de saques acima dos depósitos, totalizando R$ 85,6 bilhões de retirada líquida em 2025.
Analistas atribuem a preferência por aplicações alternativas à manutenção da taxa Selic em patamares elevados. Desde julho de 2025, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC interrompeu o ciclo de alta e deixou a taxa básica de juros em 15% ao ano, estimulando investimentos com rentabilidade superior à poupança.
A estratégia da autoridade monetária visa garantir o cumprimento da meta de inflação de 3% para o ano. Juros altos costumam encarecer o crédito e atrair recursos para aplicações financeiras, em vez de estimular o consumo, contribuindo para o controle dos preços.
Em dezembro de 2025, os preços de transportes por aplicativo e passagens aéreas pressionaram o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que subiu 0,33%. Com isso, a inflação oficial acumulou alta de 4,26% no ano.
Na ata de encontro do Copom, o Banco Central reafirmou o compromisso de iniciar cortes na Selic já na reunião de março, sem indicar a magnitude das reduções. A autarquia também alertou que os juros permanecerão em nível restritivo para manter a trajetória de desaceleração inflacionária.
A evolução dos números reforça a mudança de comportamento dos investidores, que buscam alternativas mais atrativas diante do cenário de juros elevados.
Com informações de Agência Brasil



