As eleições para as Mesas Diretoras das Câmaras Municipais do biênio 2025-2026 expuseram embates entre chefes do Executivo e do Legislativo em diversos municípios paraibanos. Em alguns casos, aliados se afastaram; em outros, a oposição conquistou o comando do parlamento local, criando impasses na governabilidade.

Santa Rita

A disputa mais acirrada ocorreu em Santa Rita. Após duas tentativas frustradas, a eleição só aconteceu em 9 de janeiro, depois que o desembargador José Guedes Cavalcanti Neto suspendeu alteração no Regimento Interno que exigia quórum mínimo de 13 vereadores. No pleito, Epitácio Viturino (PP) venceu Flávio Panta (PP) por 10 votos a 9, afastando-se do prefeito Emmanuel Alvino (PSD). Desde então, as relações seguem marcadas por trocas de acusações.

Cabedelo

Em Cabedelo, o presidente Edvaldo Neto fora eleito por unanimidade com aval do prefeito André Coutinho (PSD). A parceria ruiu em setembro, quando Coutinho rompeu com o ex-prefeito Vítor Hugo, aliado de Edvaldo. Exonerações de indicados do presidente aprofundaram o desgaste.

Conde

No Conde, a prefeita Karla Pimentel (PP) defendeu o nome de Daniel Júnior para a presidência da Câmara, mas o ex-chefe de gabinete Aleksandro Pessoa se lançou candidato e, com apoio de seis vereadores, venceu a eleição por 6 a 5. O resultado oficializou o rompimento entre Pessoa e a prefeita.

Município com gestão de Kiko Monteiro

O até então oposicionista Chico Nazário derrotou o grupo do prefeito Kiko Monteiro, mas não assegurou maioria na Câmara. Monteiro formou o bloco “G6”, que impediu a eleição do irmão de Chico para a presidência por 6 a 5. O ambiente piorou após denúncias contra o gestor municipal.

Mamanguape

Neto Belino foi eleito presidente com apoio do prefeito Joaquim Fernandes. O acordo previa que, no biênio 2027-2028, Guilherminho Fernandes (PSB) assumiria o comando. Nos bastidores, porém, Neto articulou alteração na lei para tentar a reeleição, gerando o afastamento do grupo governista.

Município administrado por Deta

Eleito com o aval da prefeita Deta, o presidente Ronaldo do Mel rompeu em agosto, após exoneração do filho, que ocupava cargo na Secretaria de Agricultura. Desde então, Ronaldo critica publicamente a gestão, citando problemas na educação e na administração.

Município de Cícero de Arlete

Em outra cidade, a oposição liderada por Cícero de Arlete venceu o pleito municipal, desalojando o grupo de Maria das Graças e do então prefeito Diogo Richelli. Mesmo com a vitória, o novo prefeito conquistou apenas quatro das nove cadeiras. A maioria oposicionista elegeu Cristóvão Pereira presidente da Câmara no seu primeiro mandato.

São Domingos de Pombal

Eleito na base da prefeita Adeilza, o presidente Valderan rompeu em agosto após não ser convidado a subir no palco durante visita do governador João Azevêdo à cidade. Alegando neutralidade, Valderan afirmou que a postura do esposo da prefeita foi decisiva para a saída.

São Sebastião do Umbuzeiro

O vereador Jailson Freitas presidiu a Câmara nos biênios 2021-2022 e 2023-2024 e foi reeleito para 2025-2026. A eleição foi contestada no STF, e o ministro Edson Fachin determinou seu afastamento. Na nova votação, em julho, a chapa da oposição elegeu Sildete do Salão, então integrante da bancada governista.

Município de Lucinha

No município administrado pela prefeita Lucinha, a vereadora Djá Moura, ex-aliada, surpreendeu ao superar o candidato apoiado pelo ex-prefeito Antônio Gomes, vencendo por 6 a 5. Embora Lucinha ainda conte com oito dos 11 vereadores, Djá mantém postura de oposição com respaldo de Antônio.

Em todos esses casos, a falta de alinhamento entre prefeitos e presidentes de câmaras projeta cenários de tensão e incerteza para a condução das pautas legislativas a partir de 2025.

Com informações de Polêmica Paraíba