A Prefeitura de Campina Grande, no Agreste paraibano, informou que a mortandade de, aproximadamente, 10 toneladas de peixes no Açude Velho está associada a um fenômeno natural denominado circulação vertical. De acordo com a administração municipal, a combinação da baixa lâmina d’água – resultado do verão intenso e da evaporação – e uma ventania registrada no último domingo teria promovido a agitação das camadas mais profundas do reservatório, liberando esgoto e material orgânico acumulados no fundo.
Em entrevista à TV Paraíba, a coordenadora de Meio Ambiente, Liliam Ribeiro, explicou que o processo, comum nesta época do ano, provocou o levantamento de gases tóxicos que reduziram drasticamente o teor de oxigênio na água, provocando a morte em massa dos peixes. “Esse movimento de toda a coluna d’água possivelmente liberou substâncias que sufocaram os animais”, detalhou.
Segundo a coordenadora, a ocorrência de peixes mortos no Açude Velho resulta também de um desequilíbrio entre fósforo e nitrogênio, que, ao se juntarem, favorecem o sufocamento das espécies. Além da remoção contínua dos corpos dos peixes e da matéria orgânica, ações emergenciais foram iniciadas para amenizar o odor e melhorar a qualidade da água. Entre as medidas estão análises dos peixes recolhidos, estudos para implantação de aeradores e projetos de médio prazo para dragagem e limpeza mais profunda do reservatório.
Paralelamente, a Polícia Civil instaurou inquérito para apurar se a mortandade configura crime de poluição ambiental, conforme artigo 54 da Lei de Crimes Ambientais. A Superintendência de Administração do Meio Ambiente (Sudema) e o Instituto de Polícia Científica (IPC) foram acionados para coletar amostras de água e realizar novas perícias. Os resultados devem ser divulgados em até dez dias.
O biólogo Ronaldo Justino classificou o episódio como eutrofização artificial: “O aporte de dejetos domésticos e industriais tensiona o ambiente, reduz a disponibilidade de oxigênio e leva ao declínio de espécies”, explicou. Ele ressaltou que, desde a fundação do açude em 1830, o acúmulo de matéria orgânica vem se agravando, tornando recorrente a mudança na coloração da água, a ascensão de peixes à superfície e o cheiro característico da decomposição anaeróbia.
Justino também alertou para possíveis impactos em aves que se alimentem dos peixes contaminados e ressaltou que somente as perícias conjuntas poderão identificar plenamente as causas e as consequências deste episódio, bem como orientar o prazo de recuperação do ecossistema do Açude Velho.
Com informações de G1



