O presidente interino da Câmara Municipal de Cabedelo, José Pereira (Avante), afirmou que pretende colocar em votação o projeto encaminhado pelo prefeito afastado Edvaldo Neto (Avante) que proíbe a administração municipal de contratar pessoas com vínculos com facções criminosas. A intenção é votar a proposta antes de assumir, de forma provisória, o comando da cidade.

Em entrevista à CBN Paraíba, Pereira informou que deverá convocar ainda nesta terça-feira (14) uma sessão em regime de urgência urgentíssima para apreciar o projeto. Segundo ele, a iniciativa tem prioridade durante o período de transição administrativa.

O presidente da Câmara explicou que a proposta visa exigir que novos contratados apresentem antecedentes limpos, evitando a admissão de indivíduos ligados a organizações criminosas na estrutura municipal. Ele considerou a medida uma forma de “limpeza” nos quadros da prefeitura.

Posse sob análise do setor jurídico

Pereira disse ter sido notificado pela Justiça Eleitoral sobre o afastamento de Edvaldo Neto e que encaminhou os documentos recebidos ao departamento jurídico da Câmara para viabilizar sua posse como chefe do Executivo municipal. Enquanto as providências legais são analisadas, ele afirmou que, naquele dia, a Câmara realizaria sessão ordinária.

Não há confirmação oficial sobre a data em que José Pereira assumirá o cargo de forma interina.

Afastamento de Edvaldo Neto

O prefeito Edvaldo Neto foi afastado do cargo nesta terça-feira (14) por decisão judicial, em uma operação conjunta da Polícia Federal, do Ministério Público da Paraíba — por meio do GAECO — e da Controladoria-Geral da União. A investigação apura a atuação de uma organização criminosa dedicada a fraudar licitações, desviar recursos públicos, lavar dinheiro e possivelmente financiar uma facção com atuação no município.

Segundo as apurações, havia um consórcio envolvendo políticos de alto escalão do município, empresários e integrantes da organização criminosa, com o objetivo de manter contratos milionários e distribuir vantagens ilícitas. O esquema investigado pode ter movimentado até R$ 270 milhões.

Em nota, a defesa de Edvaldo Neto negou qualquer vínculo do ex-prefeito com facções criminosas, classificando a imputação como inverídica e incompatível com sua trajetória pública, e afirmou confiar que os fatos serão esclarecidos ao longo da investigação.

Com informações de Jornaldaparaiba