O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), confirmou que encerrou suas relações políticas e pessoais com o líder do Partido dos Trabalhadores na Casa, Lindbergh Farias (PT-RJ). A declaração foi feita em entrevista ao jornal Folha de S.Paulo e divulgada nesta segunda-feira, 24 de novembro de 2025.
Segundo Motta, a decisão é definitiva. “Não tenho mais interesse em ter nenhum tipo de relação com o deputado Lindbergh Farias”, afirmou o parlamentar paraibano, que ocupa o comando da Câmara desde fevereiro de 2025. Ele não detalhou os motivos que precipitaram o rompimento, mas indicou que a ruptura vai além do campo institucional, alcançando também o âmbito pessoal.
O episódio ocorre em meio a um cenário de tensões dentro da base aliada do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Nos bastidores do Congresso, aliados avaliam que o distanciamento entre o chefe do Legislativo e o principal articulador petista na Casa tende a aumentar o desgaste na articulação política do Palácio do Planalto. Ambos exerciam papéis centrais na tramitação de projetos considerados prioritários para o Executivo.
Hugo Motta, de 35 anos, foi eleito para o seu quarto mandato consecutivo e assumiu a Presidência da Câmara após costurar uma aliança multipartidária que incluiu siglas de centro e centro-direita. Já Lindbergh Farias, ex-senador e ex-prefeito de Nova Iguaçu, retornou à Câmara dos Deputados em 2023 e lidera a bancada do PT desde março de 2025, sendo responsável por coordenar a pauta do partido e negociar votações com outras legendas.
Integrantes do Republicanos e do PT evitam comentar publicamente as causas do atrito, mas reconhecem que o relacionamento entre os dois parlamentares vinha se deteriorando desde o início da atual legislatura. Pessoas próximas aos deputados mencionam divergências sobre a condução de projetos ligados à reforma tributária e à política de preços dos combustíveis, embora nenhum deles confirme oficialmente esses pontos.
Parlamentares de partidos aliados admitem que o clima de animosidade pode afetar a votação de matérias relevantes nos próximos meses. Líderes partidários avaliam que caberá ao Palácio do Planalto encontrar caminhos para preservar o apoio no plenário, sobretudo em propostas que exigem quórum qualificado, como emendas constitucionais.
Até o momento, nem Hugo Motta nem Lindbergh Farias anunciaram medidas formais que alterem a condução dos trabalhos legislativos. No entanto, assessores de ambas as partes não descartam a possibilidade de mudanças na composição de comissões, relatorias estratégicas ou nas negociações de pautas futuras, caso o ambiente permaneça tenso.
Apesar do embate, líderes de outras legendas afirmam que a agenda de votações seguirá normalmente nesta semana, com sessões previstas para quarta e quinta-feira. Nos corredores da Câmara, o comentário predominante é que o impasse entre Motta e Farias deve continuar repercutindo, sobretudo enquanto o governo busca consolidar sua base para aprovar matérias econômicas consideradas essenciais.
Não há previsão de reunião entre os dois deputados para tentar reverter o quadro. Assessores próximos ao presidente da Câmara frisam que a decisão de se afastar é “irreversível”, enquanto interlocutores do líder petista dizem que ele pretende “manter o foco na pauta legislativa” e evitar novos embates públicos.
Nas redes sociais, não houve manifestação recente de Hugo Motta sobre o assunto. Já Lindbergh Farias publicou nota breve enfatizando que continuará “trabalhando pelo país” e reafirmou compromisso com a agenda do governo.
O desenvolvimento dessa crise interna será acompanhado de perto por partidos da base aliada e da oposição, que observam possíveis impactos nas articulações políticas do Poder Executivo no Congresso Nacional.
Com informações de Paraibaonline




