A primeira-dama da Paraíba, Camila Mariz Ribeiro, recordou de forma emocionada o assassinato da mãe, Silvia Fernandes Mariz, ocorrido em 1999, durante entrevistas ao Blog do Levi e ao programa Cidade Notícia, da Rádio Líder FM, na última semana. As declarações foram dadas em agenda realizada no Sertão paraibano.

Na passagem pela região, Camila participou de uma palestra sobre perdão em uma igreja evangélica em Sousa e visitou a casa em São João do Rio do Peixe onde o crime aconteceu. Ela tinha 10 anos quando a mãe foi morta pelo próprio marido, fato que, segundo a primeira-dama, marcou profundamente sua vida.

A decisão de tornar a história pública

Por mais de 20 anos, Camila manteve o episódio restrito ao círculo familiar, citando a dor, a vergonha e o sentimento de culpa que normalmente acompanham episódios de violência doméstica. A primeira-dama afirmou que essa culpa muitas vezes recai sobre os membros da família pelo fato de a agressão ocorrer no ambiente doméstico.

A escolha por revelar a experiência veio há cerca de quatro anos, quando ela passou a integrar o projeto Antes que Aconteça, idealizado pela senadora Daniela Ribeiro. A iniciativa visa conscientizar a população e fortalecer ações contra a violência contra a mulher e foi incorporada posteriormente às políticas públicas do Governo da Paraíba.

Camilia explicou que tornar sua história pública teve o objetivo de humanizar as estatísticas sobre feminicídio — atualmente quase cinco mulheres são vítimas desse tipo de crime por dia no Brasil —, transformando dados frios em relatos de pessoas reais.

Revisita à casa e o papel do perdão

Ao retornar ao imóvel onde a mãe foi assassinada, a primeira-dama afirmou que a intenção era substituir lembranças de dor por uma última memória positiva do local, diferente das recordações vinculadas ao processo judicial e ao crime.

Sobre o perdão concedido ao pai, Camila disse que a decisão não apaga os fatos, mas permite seguir com a vida. Segundo ela, o perdão ajudou a restabelecer sua relação com a fé e com outras pessoas, e foi condição para que conseguisse realizar a visita à antiga residência da família.

Camila também recordou as dificuldades enfrentadas para obter a condenação do autor do crime, observando que o julgamento ocorreu antes da criação da Lei Maria da Penha e da tipificação do feminicídio, quando a legislação oferecia menos mecanismos de proteção para mulheres vítimas de violência.

A primeira-dama concluiu que compartilhar sua trajetória busca incentivar outras mulheres a romperem o silêncio e reforçar a necessidade de combate à violência doméstica e ao feminicídio.

Com informações de Polemicaparaiba