Nascimento de Iara marca marco no atendimento estadual de saúde
O nascimento de Iara, em junho de 2026, tornou-se o primeiro caso registrado na rede pública estadual de saúde da Paraíba em que um bebê foi gerado por um homem trans. Os pais são Daniel Valentim, homem trans, e Gisele Castro, mulher trans. O casal vinha planejando a gestação e acompanhou todo o pré-natal.
Moradores de Esperança, Daniel e Gisele iniciaram o acompanhamento pré-natal em Campina Grande. Ainda no primeiro mês de gestação, a gravidez foi classificada como de alto risco depois que Daniel recebeu diagnóstico de trombose, uma condição que pode ocorrer com gestantes. Além do pré-natal, o casal também era atendido pelo ambulatório para pessoas transexuais vinculado ao Hospital de Trauma de Campina Grande.
Apesar do acompanhamento, Daniel relatou desconforto e receio de enfrentar preconceito ao se apresentar como o primeiro homem trans em gestação na unidade. A insegurança aumentou quando foi informado de que a obstetra responsável pelo pré-natal não estaria presente para realizar o parto, que ficaria a cargo do médico plantonista do dia.
Em busca de um ambiente mais acolhedor e com estrutura adequada, o casal pesquisou alternativas e identificou que o Hospital da Mulher, em João Pessoa, já realiza cirurgias de mastectomia em homens trans encaminhados pelo Espaço LGBT Clementino Fraga, o que indicava preparo da equipe para atender essa população. Com apoio da coordenação do Espaço LGBT de João Pessoa, obtiveram vaga e transferiram o pré-natal para a capital no oitavo mês de gravidez.
O médico do Hospital da Mulher avaliou os exames realizados em Campina Grande, constatou que a saúde de Daniel estava regular e confirmou que a unidade poderia recebê-lo adequadamente. O parto no Hospital da Mulher ocorreu em um ambiente que o casal descreveu como acolhedor e sem manifestações de preconceito por parte da equipe, experiência que reforçou a sensação de segurança.
Daniel e Gisele se conheceram há cerca de quatro anos. O casal tentou a primeira gestação em 2023. Para tentar engravidar, ambos precisaram interromper o tratamento hormonal, procedimento que, segundo eles, pode provocar disforia ao reverter características corporais associadas ao tratamento. Após nova tentativa, a gravidez foi confirmada ao final de 2025 e, em junho de 2026, a bebê Iara nasceu.
Os pais afirmam que a chegada da filha trouxe alegria à família e destacam o acolhimento recebido por parentes — a sogra de Gisele, mãe de Daniel, foi a primeira visitante, e a própria mãe de Gisele também os recebeu bem. Para o casal, o nascimento representa a concretização de um projeto familiar construído com afeto e respeito.
Com informações de G1



