O primeiro governo de Ricardo Vieira Coutinho, eleito em 2010, alterou o quadro político da Paraíba ao propor um projeto que transferisse para o estado as práticas implantadas por ele em João Pessoa, onde havia sido prefeito por dois mandatos. A posse ocorreu após uma das eleições mais concorridas da história recente estadual, quando Ricardo, então no PSB, derrotou o governador José Maranhão.
Da trajetória ao plano de governo
Ativo nos movimentos estudantis e sindicais desde os anos 1980, Ricardo passou por cargos de vereador e deputado estadual antes de assumir a Prefeitura de João Pessoa em 2004, sendo reeleito em 2008 com mais de 78% dos votos no primeiro turno. Pesquisas publicadas um ano antes da eleição apontavam empate técnico entre ele e José Maranhão (38% a 37%), com Cícero Lucena em terceiro com 14%.
A entrada de Ricardo na disputa estadual reconfigurou a campanha, que ganhou apoio de lideranças como Cássio Cunha Lima, e foi interpretada como o embate entre forças políticas tradicionais e um novo bloco originado de movimentos sociais, estudantis e sindicais. No segundo turno, Ricardo foi eleito com 53% dos votos, superando a marca de 1 milhão de eleitores.
Prioridades e mecanismos participativos
Ao assumir, o governador anunciou que investiria em educação, desenvolvimento e geração de renda. Uma das principais iniciativas foi a implantação do Orçamento Democrático estadual, instrumento destinado a ampliar a participação popular na definição de prioridades orçamentárias. Em 2011, o programa foi levado aos 223 municípios paraibanos, e Lúcio Flávio, chefe de gabinete entre 2011 e 2014, apontou as grandes plenárias como momento político central da gestão.
Infraestrutura e interiorização
Entre as demandas apontadas pelos participantes das plenárias, a melhoria de estradas se destacou. Nos primeiros dois anos do governo, a administração ampliou um programa de pavimentação e recuperação rodoviária, com 2.680 quilômetros de vias executadas, voltadas sobretudo ao Cariri, Curimataú, Sertão e outras regiões do interior, para reduzir o isolamento de municípios.
Relação tensa com a Assembleia
Politicamente, o governador enfrentou dificuldades na Assembleia Legislativa da Paraíba (ALPB). De 36 deputados, apenas seis integravam sua base de apoio, segundo relato de Hervazio Bezerra, que assumiu a liderança do governo na Casa. As votações envolveram negociações frequentes e disputas sobre repasses para os Poderes. Na época, Ricardo Marcelo, presidente da ALPB, foi identificado como um dos principais opositores.
Segurança, penitenciária e saúde
Nos primeiros meses da gestão ocorreram paralisações de policiais militares, civis, bombeiros e agentes penitenciários, com reivindicações como a PEC 300. O sistema penitenciário enfrentou rebeliões e mortes, segundo relatos de Wallber Virgolino, responsável por áreas da administração penitenciária. O governo implantou grupos especializados, força tática, canil e equipamentos de segurança nos presídios.
No setor de saúde, hospitais públicos lidaram com problemas de superlotação e infraestrutura. O Hospital de Trauma de João Pessoa viveu episódio de demissão coletiva de 23 cirurgiões gerais. Ao mesmo tempo, o governo concluiu a estruturação e colocou em funcionamento o Hospital de Trauma de Campina Grande e inaugurou unidades em municípios como Mamanguape, dentro da estratégia de interiorizar serviços de saúde.
Ao término do primeiro mandato, a base de apoio do governador na Assembleia seguia reduzida, com seis deputados declarados favoráveis, e a administração já se preparava para a disputa pela reeleição.
Com informações de Jornaldaparaiba



