O professor de Geografia da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), Marcelo Henrique de Melo Brandão, esclareceu em entrevista à TV e Rede Diário do Sertão que os tremores sentidos na Paraíba são, em sua maioria, sismos intraplaca — ou seja, ocorridos no interior de uma placa tectônica.

Segundo Marcelo Henrique, a crosta terrestre apresenta composição heterogênea, com diferentes tipos de rochas, fraturas e falhas. O movimento constante das placas tectônicas gera acúmulo de tensão nessas estruturas e, quando essa energia é liberada, surge o tremor.

O docente ressaltou que esse mecanismo é um comportamento natural do planeta e que, em geral, os eventos intraplaca apresentam magnitude menor do que os registrados nas margens das placas, onde as interações são mais intensas. Como exemplo disso, ele citou recentes terremotos de maior magnitude na Colômbia e na Venezuela.

Marcelo Henrique também informou que, embora o Brasil não registre grandes terremotos com frequência, centenas de pequenos abalos são identificados e monitorados anualmente no país. Muitos desses eventos têm intensidade tão baixa que passam despercebidos pela população.

Para ilustrar a ocorrência relevante de atividade intraplaca no Nordeste, o professor lembrou do episódio em João Câmara, no Rio Grande do Norte, ocorrido há cerca de quatro décadas, quando um terremoto atingiu magnitude 5,2.

Ao comentar sobre a reação da população aos tremores, o professor procurou tranquilizar os moradores, afirmando que não pretende alarmar ninguém e que os abalos de baixa magnitude fazem parte do funcionamento natural da crosta terrestre.

As explicações foram dadas em diálogo com a equipe da emissora regional, após a divulgação de relatos de tremores em Belém do Brejo do Cruz, município onde a população manifestou preocupação com os episódios.

O monitoramento contínuo e a interpretação desses eventos por especialistas, segundo o professor, são essenciais para diferenciar episódios rotineiros e de baixa intensidade de ocorrências que exijam atenção maior por parte das autoridades.





As informações oferecidas por Marcelo Henrique visam esclarecer a origem dos tremores e contextualizar a frequência e a magnitude típicas de sismos intraplaca na região Nordeste.

Com informações de Diariodosertao