O governo federal oficializou nesta semana a criação do Programa Rotas de Integração Sul-Americana, iniciativa que busca diminuir o tempo e o custo do transporte de mercadorias entre o Brasil, países vizinhos e também com a Ásia.

A portaria de criação do programa, assinada pela ministra do Planejamento, Desenvolvimento e Gestão, Simone Tebet, foi publicada no Diário Oficial da União em 3 de fevereiro de 2026. O documento estabelece ações para promover a integração de infraestruturas física, digital, social, ambiental e cultural entre as nações sul-americanas.

Segundo o texto oficial, o programa prevê a realização de estudos técnicos e pesquisas aplicadas a áreas estratégicas, como a multimodalidade de transportes, a conectividade entre rotas terrestres e marítimas, a integração energética e digital, a consolidação de uma unidade geoeconômica regional, o conceito de bioceanidade e a análise de perspectivas fronteiriças e não fronteiriças no território brasileiro.

Cinco rotas estratégicas

As redes de infraestrutura foram estruturadas em cinco rotas definidas após consulta aos 11 Estados brasileiros que fazem fronteira com demais países da América do Sul:

1. Ilha das Guianas: conecta áreas do Norte do Brasil à Guiana Francesa, ao Suriname, à Guiana e à Venezuela.

2. Amazônica: liga o Norte brasileiro à Colômbia, ao Equador e ao Peru.

3. Quadrante Rondon: interliga as regiões Norte e Centro-Oeste do Brasil ao Peru, à Bolívia e ao Chile.

4. Bioceânica de Capricórnio: integra o Centro-Oeste, o Sudeste e o Sul do Brasil ao Paraguai, à Argentina e ao Chile.

5. Bioceânica do Sul: articula o Sul brasileiro ao Uruguai, à Argentina e ao Chile.

O lançamento das cinco rotas decorre de uma agenda de integração regional definida em reunião de líderes da América do Sul realizada em 2023. Na ocasião, os países concordaram em fortalecer a cooperação em infraestrutura logística e comercial para aumentar a competitividade e reduzir custos.

De acordo com o governo, o Brasil concentrou historicamente seu comércio transatlântico em direção à Europa e aos Estados Unidos. No entanto, nas últimas décadas, houve deslocamento da produção para as regiões Norte e Centro-Oeste e crescimento do intercâmbio com mercados asiáticos, o que reforça a necessidade de novas rotas de escoamento.

O Programa Rotas de Integração Sul-Americana tem prazo para elaborar diagnósticos, propor intervenções e fomentar parcerias entre poder público e iniciativa privada, contribuindo para a expansão do fluxo de cargas e a competitividade do setor exportador brasileiro.

Com informações de Agência Brasil