Pesquisadores da Universidade Federal da Paraíba (UFPB) e da Associação Guajiru registraram, pela primeira vez no litoral paraibano, a assinatura térmica de uma tartaruga-marinha durante a desova. A imagem foi obtida por um drone equipado com sensor térmico na faixa de praia entre João Pessoa e Cabedelo e integra iniciativa que combina captação térmica e inteligência artificial para reforçar a proteção de espécies ameaçadas.
O conceito de “assinatura térmica” refere-se ao padrão de calor emitido por um organismo, detectável por sensores capazes de distinguir a temperatura do animal em relação à da areia. Esse contraste permite localizar a tartaruga e identificar o ponto da desova mesmo à distância e durante a noite, período em que a postura de ovos é mais frequente.
O trabalho é coordenado pelo professor George Miranda, do Laboratório de Biodiversidade e Ecologia Integrativa (Labei) da UFPB. Segundo ele, a união entre imagens térmicas e sistemas de aprendizado de máquina amplia a capacidade de monitoramento e, consequentemente, a proteção das tartarugas no litoral.
Embora sensores térmicos já tenham sido utilizados em estudos ambientais, a equipe afirma que integrar essas imagens a um software com reconhecimento de padrões e acompanhamento em tempo real é novidade no contexto do monitoramento de tartarugas-marinha na região. O software em desenvolvimento identifica automaticamente a assinatura térmica e os rastros deixados na areia, indicando a posição do ninho em tempo real.
O sistema opera com o drone a cerca de 40 metros de altura, distância considerada segura para não perturbar o comportamento dos animais. A tecnologia conta com apoio da INOVATEC/JP e é apresentada como alternativa mais eficiente e de custo menor em relação ao monitoramento tradicional, além de ampliar o alcance das ações em áreas de difícil acesso.
O projeto também avança para o desenvolvimento de um “ovo espião”: um dispositivo inserido entre os ovos no ninho capaz de registrar temperatura, umidade e movimentos, transmitindo dados sem a necessidade de intervir fisicamente na ninhada. A proposta é acompanhar o desenvolvimento embrionário em tempo real e detectar riscos como variações térmicas ou interferências externas sem abrir o ninho.
Os pesquisadores destacam ameaças enfrentadas pelas tartarugas, como a poluição luminosa — que pode desorientar fêmeas e filhotes —, ingestão de plástico e captura acidental em redes de pesca. Na Grande João Pessoa, os trechos de desova mais importantes estão entre Bessa e Intermares, além de Jardim Oceania e Gramame. O trabalho acompanha principalmente as tartarugas-verdes e as de-pente, ambas ameaçadas de extinção.
Com informações de G1



