Promulgação e reação local

Nesta sexta-feira (16), a equipe do programa Olho Vivo, da TV e Rede Diário, esteve no centro de Cajazeiras para colher opiniões após a promulgação da emenda à Constituição que encerra a prática da escala 6×1, instituindo dois dias de folga remunerada por semana sem redução salarial. A medida encontra resistência de empresários e apoio de trabalhadores e agentes culturais.

Posição dos comerciantes

Donos de estabelecimentos relataram preocupação com o impacto financeiro e a operação diária. O microempreendedor Saulo Tasso afirmou que pequenos empresários terão de escolher entre contratar mais pessoal e repassar custos ao consumidor ou reduzir a jornada dos atuais funcionários, o que, segundo ele, diminuiria o tempo de atendimento.

O comerciante Décio Barreto avaliou que a mudança tende a onerar os pequenos negócios e repercutir no bolso do consumidor. Barreto acredita também que a redução do volume de trabalho pode gerar menos produção e, consequentemente, queda na renda de trabalhadores.

Por outro lado, alguns lojistas demonstraram confiança na adaptação. Maria Lizete disse que não pretende aumentar preços e que, na sua loja, o expediente de sábado é curto, o que facilita conceder o fim de semana de folga aos empregados sem grande alteração na rotina.

Perspectiva dos trabalhadores e agentes culturais

Para trabalhadores do comércio e agentes culturais, a alteração representa ganho de qualidade de vida. O empresário e agente cultural Júnior Terra destacou que folgas regulares podem contribuir para maior bem-estar e rendimento dos empregados, já que o descanso possibilita maior disposição nas atividades profissionais.

Funcionários ouvidos na rua citaram a necessidade de tempo para a família e para recuperação física. A comerciária Graziella Lins afirmou que a escala 6×1 prejudica os trabalhadores. O salgadeiro Joaquim de Sousa ressaltou que, em atividades como panificação, os horários madrugadores dificultam a convivência familiar, e classificou a mudança como positiva.





Quando questionados sobre a possibilidade de aceitar horas extras no dia de folga adicional, as respostas variaram. Alguns, como Daniel Silva e Isaías Neto, disseram que voltariam ao trabalho mediante pagamento extra, por necessidade financeira. Outros se colocaram firmes em manter a folga inalterada: Joaquim de Sousa disse que a nova folga é uma conquista que não deveria ser negociada, e a funcionária Neide Bezerra afirmou que prefere permanecer em casa, independentemente de proposta de hora extra.

As opiniões recolhidas no centro de Cajazeiras mostram que a promulgação da emenda provoca avaliações distintas entre quem administra estabelecimentos e quem desempenha atividades no comércio local.

Com informações de Diariodosertao