O desembargador João Benedito, relator do habeas corpus no Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), manifestou-se nesta terça-feira (10) pela troca da prisão preventiva do influenciador digital Hytalo Santos e de seu marido, Israel Vicente, por um conjunto de medidas cautelares. A discussão ocorreu no âmbito de um recurso da defesa contra a manutenção da detenção dos réus, acusados de produzir conteúdo de exploração sexual envolvendo adolescentes.

No voto apresentado, o magistrado considerou que as restrições propostas seriam suficientes para garantir o andamento do processo e a segurança das vítimas. Entre elas, ele listou o uso de tornozeleira eletrônica, a proibição de deixar os municípios de João Pessoa e Bayeux e o impedimento de qualquer contato com os adolescentes envolvidos e seus familiares.

Após a leitura do relatório, o desembargador Ricardo Vital solicitou vista do processo, o que suspendeu a conclusão do julgamento. A expectativa é que a decisão final seja retomada em sessão da Câmara Criminal do TJPB marcada para 24 de fevereiro.

O pedido de habeas corpus analisado agora difere das tentativas anteriores, todas rejeitadas: em setembro e em novembro de 2025, a defesa já havia solicitado a revogação da prisão ou a aplicação de medidas alternativas, sem sucesso. Desta vez, a argumentação enfatizou a demora no trâmite e no encerramento da instrução criminal.

Hytalo Santos e Israel Vicente estão detidos no Presídio do Róger, em João Pessoa, desde 28 de agosto de 2025. A prisão preventiva foi decretada originalmente no dia 15 de agosto, em São Paulo, após a Justiça considerar haver indícios de envolvimento da dupla em prática de exploração sexual de menores.

Além do processo criminal no TJPB, o casal responde a ação na Justiça do Trabalho por suspeita de tráfico de pessoas para exploração sexual e trabalho em condições análogas à escravidão. Em uma decisão anterior, a Justiça Federal bloqueou bens avaliados em até R$ 20 milhões pertencentes a Santos.

O adiamento do julgamento no TJPB mantém o provimento judicial em aberto, deixando a definição sobre a substituição das medidas restritivas para o fim do mês.

Com informações de G1