Recife, 9 de março de 2026 — A uma semana da cerimônia do Oscar, marcada para domingo, 15 de março, o filme O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, volta a ser tema de conversas por um detalhe que difere entre a versão cinematográfica e o roteiro publicado.
Com quatro indicações — Melhor Filme, Melhor Filme Internacional, Melhor Ator (Wagner Moura) e Casting —, O Agente Secreto permanece em cartaz desde janeiro e já alcançou quase 2,5 milhões de espectadores. A produção também estreou em plataformas de streaming no sábado, 7 de março.
O longa mantém traços da assinatura do diretor, com perguntas que ficam sem solução e passagens culturais enraizadas na cidade do Recife. Uma cena que chamou atenção envolve o personagem de Wagner Moura — identificado no roteiro como Marcelo/Armando —, que retorna ao Recife após a morte da mulher, Fátima. O pai dela, Seu Alexandre, projecionista do Cine São Luiz, surpreende Marcelo ao questioná‑lo sobre a fidelidade no casamento da filha.
No filme, a sequência termina sem uma resposta direta: Seu Alexandre faz a pergunta em tom popular — que virou bordão e até um frevo em Pernambuco — e Marcelo desconversa, contribuindo para a ambiguidade típica do texto cinematográfico de Kleber Mendonça Filho.
No entanto, o roteiro de O Agente Secreto, lançado em livro — assim como os roteiros de O Som ao Redor, Aquarius e Bacurau — traz um desfecho diferente para o diálogo. No material escrito, Marcelo é surpreendido pela indagação repetida de Seu Alexandre e, após hesitar, admite que também teve casos extraconjugais. Ele também sugere que Fátima manteve relações fora do casamento, porém em menor intensidade do que ele próprio.
Essa diferença entre o que permanece na tela e o que consta no roteiro aponta para decisões de edição e interpretação que alteram a percepção do público sobre personagens e conflitos. A questão lançada pelo pai de Fátima — “raparigou ou não raparigou?” — funciona, na obra filmada, como um elemento de ambivalência; no texto publicado, transforma‑se em confissão que muda a natureza da cena.
O debate sobre a passagem ilustra como a publicação dos roteiros permite acessar variantes do mesmo material dramático e entender opções narrativas que nem sempre chegam ao corte final exibido nas salas de cinema.
Com informações de Jornaldaparaiba




