O músico paraense Silvan Galvão lançou o videoclipe do single “Boca Doce”, gravado em parceria com a cantora colombiana Daia Mutis. A produção audiovisual foi filmada em quatro países — Brasil, França, Portugal e Colômbia — e dirigida por Priscila Tapajoara, com imagens de Estefane Galvão e da própria diretora, além de edição de José Corrêa.

A faixa mistura ritmos tradicionais latino-americanos, aproximando o carimbó da cumbia em arranjos que valorizam tambores e maracas, além de sopros, guitarra, baixo e bateria. O tom da canção é afetivo e nostálgico, proposta que busca unir elementos de duas culturas de dança em uma sonoridade que transita entre o tradicional e o contemporâneo.

Silvan, nascido no início da década de 1980 em Santarém (PA), iniciou a carreira como percussionista, acompanhando nomes da música paraense como Nilson Chaves, Sebastião Tapajós e Pinduca. Seu primeiro trabalho solo, o álbum instrumental “Segredos Amazônicos”, saiu em 2013 e apresentou composições próprias que fundem ritmos amazônicos com influências do jazz e da música latina.

Com o espetáculo derivado desse projeto, o artista participou do festival Tapajazz, em Alter do Chão, dividindo palco com Sebastião Tapajós e Toninho Horta. Em 2014, transferiu-se para o Rio de Janeiro e no ano seguinte se apresentou em espaços como Circo Voador, Sala Baden Powell, Sesc Tijuca, Parque das Ruínas, Centro Cultural Carioca, Sesc Ramos e Centro Cultural da Justiça Federal.

O segundo álbum de estúdio, “Tambores que Cantam”, tem 12 faixas, sendo 11 composições autorais e uma canção não autoral: “Caribe é Alter do Chão”, de Dona Onete, criada especialmente para o disco. Em 2022, Silvan lançou o EP “Mãe Amazônia”, que inclui as faixas “Mãe Amazônia, de pé!”, “Kwá yané rendawa – Esse é o nosso lugar”, “Passado e futuro” e “Mother Amazon, stand”, com participação do grupo norte-americano Bòfré; a atriz Dira Paes participa com um texto inserido em “Kwá yané rendawa”.

Em entrevista ao MaisPB, o artista descreveu “Boca Doce” como uma composição que valoriza a presença da pessoa amada como o lugar mais significativo, independentemente da paisagem ao redor. Sobre a colaboração com Daia Mutis, Silvan afirmou que a participação da cantora amplia o alcance da mensagem, ressaltando que o sentimento amoroso atravessa fronteiras e realidades. Ele também explicou que o single não integrará um álbum ou EP, mas representa uma mudança de direção em sua produção, mais próxima do pop e distinta de trabalhos anteriores.

Segundo o músico, a diretora Priscila Tapajoara optou por um roteiro intimista para o clipe, com imagens de viagem e cotidiano que enfatizam a saudade e a ausência da pessoa amada; a fotografia e a montagem contribuíram para esse enfoque.





Com informações de Maispb