A Polícia Federal investiga novamente Luiz Paulo Silva dos Santos, o “Baby 10”, por participação em um esquema que teria vendido aprovações em concursos públicos por até R$ 500 mil. O grupo, segundo a PF, é comandado pela família Limeira, de Patos, no Sertão da Paraíba, e usa tecnologia avançada para burlar a segurança das provas.
Luiz Paulo ficou conhecido em 2017, quando foi preso na Operação Gabarito, ação que desmontou uma rede responsável por fraudar 98 concursos em todo o país. Na época, o investigado chegou a ser aprovado para o cargo de delegado da Polícia Civil de Pernambuco e só não assumiu a função porque foi detido durante as investigações.
Modus operandi sofisticado
De acordo com a PF, o esquema atual recorria a dublês, pontos eletrônicos implantados cirurgicamente e comunicação em tempo real com candidatos dentro das salas de prova. Os valores cobrados variavam conforme o cargo e a dificuldade do certame; além de dinheiro, a quadrilha aceitava pagamento em ouro, veículos e procedimentos odontológicos.
As fraudes teriam atingido concursos da Polícia Federal, Caixa Econômica Federal, Polícias Civil e Militar, Universidade Federal da Paraíba (UFPB), Banco do Brasil e o Concurso Nacional Unificado (CNU). A corporação afirma que o grupo opera há mais de uma década, corrompendo fiscais e falsificando documentos para garantir vagas de alto escalão.
Histórico de “consultor técnico”
No novo inquérito, Luiz Paulo é apontado como “consultor técnico” da quadrilha. Conforme a investigação, ele orientava candidatos, entrava nas salas usando documentos falsos, fotografava as provas e encaminhava as imagens a um “quartel-general” onde as questões eram resolvidas. O gabarito, então, era enviado aos beneficiados por meio de equipamentos eletrônicos.
O delegado da Polícia Civil Lucas Sá, responsável pela Operação Gabarito, lembra que a prisão de 2017 evitou que Luiz Paulo chegasse ao curso de formação da Polícia Civil de Pernambuco. “Ele avançava nas etapas e seria nomeado delegado se não tivesse sido detido”, afirmou em entrevista à TV Cabo Branco.
Imagem: Internet
A operação da semana passada cumpriu mandados de busca e apreensão e prendeu o suposto líder da família Limeira. Luiz Paulo, conforme a PF, também é alvo dos mandados, mas já havia sido libertado após a ação de 2017.
As investigações continuam para identificar todos os beneficiados e recuperar valores pagos ao grupo.
Com informações de g1



