O Tesouro Nacional realizou novas recompras de títulos públicos nesta terça-feira (17) na tentativa de conter a alta dos juros futuros motivada por fatores externos e internos. Com as operações mais recentes, as intervenções somaram R$ 43,6 bilhões em dois dias, configurando a maior ação desse tipo em mais de uma década.
Pela manhã, o governo recomprou R$ 9,05 bilhões em papéis prefixados e, à tarde, movimentou R$ 7,07 bilhões em títulos indexados à inflação. Na véspera, as recompras já haviam alcançado R$ 27,5 bilhões, elevando o total do período para R$ 43,6 bilhões. Em termos nominais, o volume superou as recompras feitas durante a pandemia de covid-19, quando foram recomprados R$ 35,56 bilhões ao longo de 15 dias.
Motivo e contexto
A estratégia do Tesouro visa reduzir a volatilidade da curva de juros, indicador fundamental para as expectativas sobre a trajetória da Taxa Selic. A alta recente nas taxas foi influenciada pelo avanço do conflito no Irã e pela elevação dos preços do petróleo, elementos que ampliam o risco de inflação. Além disso, persistem incertezas domésticas, entre elas a possibilidade de uma nova paralisação de caminhoneiros.
Semana decisiva para juros
A intervenção ocorre na semana em que o Comitê de Política Monetária (Copom) decide a taxa Selic, período em que o Tesouro normalmente evita atuar para não ser interpretado como tentativa de influenciar a política monetária. A curva de juros futuros é um dos principais termômetros para as decisões do Banco Central.
Segundo a última edição do boletim Focus, a maioria das instituições financeiras projeta um corte de 0,25 ponto percentual na Selic na reunião desta quarta-feira, embora parte do mercado ainda aposte em redução maior. Antes da escalada do conflito no Oriente Médio, a expectativa predominante era por um corte de 0,5 ponto.
Estratégia e possíveis desdobramentos
Analistas técnicos destacam que o Tesouro adotou postura mais agressiva para evitar disfunções maiores no mercado no futuro — contraste com reação mais tardia observada em dezembro de 2024, em cenário de turbulência política e fiscal. A continuidade das recompras dependerá das condições de mercado; historicamente, o Tesouro costuma atuar por alguns dias consecutivos em momentos de estresse.
Reação dos mercados
Apesar das recompras, o mercado seguiu pressionado ao fim do dia. A reportagem do jornal Folha de S.Paulo sobre a possibilidade de greve dos caminhoneiros aumentou a percepção de risco, lembrando impactos de 2018, como alta da inflação e pressão fiscal. A taxa para janeiro de 2027 subiu para 14,13% ao ano, os vencimentos mais longos permaneceram estáveis, o dólar reduziu o recuo e a bolsa amenizou os ganhos.
O desfecho das intervenções e o comportamento dos mercados nos próximos dias irão depender da evolução dos riscos externos e das incertezas internas, em especial sobre a mobilização de caminhoneiros e os efeitos do conflito internacional.
Com informações de Agência Brasil



