O desembargador Márcio Murilo da Cunha Ramos, integrante da Câmara Criminal do Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB), determinou nesta sexta-feira (24) a suspensão do júri popular do vereador Wagner de Bebê (PSD), de Santa Rita. O julgamento estava agendado para 12 de novembro e trataria de um processo por homicídio.
A decisão acolhe pedido do Ministério Público da Paraíba (MPPB), que relatou ameaças dirigidas aos jurados. Segundo o órgão, moradores denunciaram que o parlamentar e pessoas ligadas a ele intimidaram possíveis depoentes e expulsaram familiares da vítima de suas residências, criando um clima de medo na comunidade de Bebelândia, em Santa Rita.
Risco à integridade psicológica do conselho de sentença
Ao justificar a suspensão, o desembargador ressaltou que a proteção do Tribunal do Júri vai além da segurança física, abrangendo também a tranquilidade moral e psicológica de quem participa do julgamento. Para ele, o ambiente de “serenidade e confiança” foi comprometido pelas supostas ameaças.
O magistrado ainda destacou que o réu exerce mandato legislativo e mantém forte ligação com órgãos de segurança e lideranças locais, o que ampliaria seu poder de influência e poderia comprometer a imparcialidade do conselho de sentença.
Processo segue na 1ª Vara Mista de Bayeux
O processo continua na 1ª Vara Mista da Comarca de Bayeux, já informada da decisão. O Tribunal de Justiça ainda não definiu qual instância assumirá o julgamento futuramente.
Prisão e histórico
Wagner de Bebê foi preso em 16 de outubro, dentro da Câmara Municipal de Santa Rita, suspeito de envolvimento em homicídios na Região Metropolitana de João Pessoa. Na ocasião, policiais apreenderam uma pistola e um revólver que estavam no veículo do parlamentar.
Imagem: Internet
O vereador também responde a uma acusação de tentativa de homicídio registrada em 2016, quando, conforme a denúncia, teria efetuado três disparos contra um homem que sobreviveu após ser socorrido por policiais militares e levado ao Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa. A materialidade do crime foi comprovada por laudo médico, e audiências de instrução ocorreram em junho daquele ano.
Não há novo calendário para o júri popular suspenso.
Com informações de MaisPB



