O paraibano Sebastião de Azevedo Ferreira, conhecido como “Bastos”, foi detido em Pucallpa, no Peru, nesta quinta-feira (26). A prisão ocorreu após ação do Núcleo de Cooperação Internacional da Paraíba da Polícia Federal, com apoio da Polícia Judiciária de Ucayali e da representação da Polícia Federal no Peru.
Segundo a Polícia Federal, Bastos integrava a lista dos mais procurados do Brasil desde o ano passado e é apontado como um dos principais fornecedores de drogas da facção Okaida. Havia contra ele um mandado de prisão expedido pela 1ª Vara de Entorpecentes de João Pessoa, pelo crime de tráfico de drogas.
O preso permanece à disposição da Justiça peruana e aguarda os trâmites legais para possível extradição ao Brasil. A Polícia Federal informou que ainda não há prazo definido para a transferência.
Lista dos mais procurados da Paraíba
A inclusão de Bastos aconteceu no contexto da lista divulgada pelo Ministério da Justiça no ano passado, elaborada após uma megaoperação no Rio de Janeiro que deixou 121 mortos. No âmbito do projeto nacional “Captura”, cada estado indicou oito alvos prioritários com base em uma matriz de risco que considerou gravidade dos crimes, vínculo com facções, mandados em aberto e atuação interestadual.
Além de Bastos, a lista da Paraíba reúne integrantes e líderes de facções apontados por crimes como homicídio, tráfico de drogas e associação criminosa. Entre os nomes citados pelas autoridades estão:
Flávio de Lima Monteiro, o “Fatoka” — apontado como chefe do Comando Vermelho na Paraíba. Ele foi alvo de operação da Polícia Civil que bloqueou R$ 125 milhões do grupo e prendeu 24 pessoas, em setembro deste ano. Há 13 mandados de prisão em aberto pela Justiça da Paraíba. Fatoka figura entre os 92 presos que fugiram da Penitenciária de Segurança Máxima Doutor Romeu Gonçalves de Abrantes (PB1) em 2018; foi recapturado em Alagoas, teve a execução da pena relaxada e saiu em cumprimento de medidas cautelares com tornozeleira eletrônica, que rompeu antes de fugir para o Rio de Janeiro.
Jonathan Ricardo de Lima Medeiros, o “Dom” — chegou a ser apontado como um dos chefes do Comando Vermelho na Paraíba em 2024. Há dois mandados de prisão contra ele, por associação criminosa para o tráfico, porte ilegal de arma de fogo e roubo qualificado.
Damião Barbosa, o “Damião de Araçagi” ou “Coroa Damião” — descrito como membro da alta cúpula do Comando Vermelho na Paraíba e próximo ao chefe local da facção. Embora tenha sido dado como preso durante a megaoperação, a Polícia Civil informou que ele segue foragido. Existem dois mandados de prisão contra ele por roubo majorado com qualificadoras e tráfico de drogas.
David Ferreira da Costa, o “Mago” — considerado chefe do núcleo operacional do Comando Vermelho na Paraíba, com atuação principalmente em Cabedelo. Foi alvo da mesma operação que resultou no bloqueio de R$ 125 milhões e prisões em setembro. Consta com seis mandados de prisão em aberto, por crimes que incluem lavagem de bens, associação para o tráfico e integrar facção criminosa.
Edivan Melo de Jesus, o “Nego” ou “Nego 4 Boca” — atuava como porta-voz da presidência do Comando Vermelho na Paraíba e tinha papel de gestão na comunidade das Quatro Bocas, em Bayeux. Há um mandado de prisão em aberto por tráfico de drogas e associação para o tráfico.
Lucian da Silva Santos, o “Galo” — apontado como membro do conselho do Comando Vermelho na Paraíba e chefe do tráfico em localidades como o Mutirão, em Bayeux.
Elvis Carneiro da Silva — possui quatro mandados de prisão em aberto. Em 2024, tornou-se réu por tráfico de drogas, crime nacional de armas e organização criminosa.
O Ministério da Justiça orienta que denúncias sobre foragidos podem ser feitas de forma anônima pelo site do ministério (onde constam nome, foto e CPF dos procurados) ou pelos telefones: 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil) e 181 (disque denúncia). Ao registrar informação, o denunciante deve mencionar que o foragido consta na lista de procurados do Ministério da Justiça e Segurança Pública. A divulgação integra o Projeto Captura do Sistema Único de Segurança Pública, que inclui criminosos com envolvimento em crimes graves, participação em organizações criminosas e mandados em aberto.
As investigações e ações de busca continuam de acordo com as autoridades competentes.
Com informações de G1



