O paraibano Sebastião de Azevedo Ferreira, conhecido como “Bastos”, foi detido em Pucallpa, no Peru, em uma ação do Núcleo de Cooperação Internacional da Polícia Federal da Paraíba. A captura contou com apoio da Polícia Judiciária de Ucayali e da representação da Polícia Federal no país andino.
Segundo a PF, Bastos integrava a lista dos mais procurados do Brasil elaborada pelo Ministério da Justiça no ano passado, após a megaoperação que teve desdobramentos no Rio de Janeiro e deixou mais de 100 mortos. A relação das pessoas prioritárias foi definida pelos estados que indicaram oito alvos com base em critérios como gravidade dos crimes, vínculo com facções, existência de múltiplos mandados e atuação interestadual.
Conforme a investigação, Sebastião é apontado como um dos principais fornecedores de entorpecentes para a facção Okaida, na Paraíba. Havia contra ele um mandado de prisão expedido pela 1ª Vara de Entorpecentes de João Pessoa, pelo crime de tráfico de drogas. A PF informou que o detido está sob a guarda da Justiça peruana e aguarda os trâmites para eventual extradição ao Brasil; não há prazo definido para o procedimento.
Lista dos mais procurados vinculados à Paraíba
Além de Bastos, o Ministério da Justiça divulgou outros nomes ligados à Paraíba na relação nacional de foragidos. Entre eles:
Flávio de Lima Monteiro, o “Fatoka” — Apontado como chefe do Comando Vermelho na Paraíba. Foi alvo de operação da Polícia Civil que bloqueou R$ 125 milhões do grupo e prendeu 24 pessoas em setembro. Há mandados de prisão em aberto contra ele pela Justiça da Paraíba, incluindo, segundo registros, 13 ordens por crimes variados, entre eles homicídio. Fatoka esteve entre os 92 detentos que fugiram da PB1 em 2018; depois foi localizado e preso em Alagoas, liberado para cumprimento de medidas cautelares com tornozeleira eletrônica, rompeu o equipamento e fugiu para o Rio de Janeiro.
Jonathan Ricardo de Lima Medeiros, o “Dom” — Indicados como um dos líderes do Comando Vermelho no estado, com suspeita de operar desde o Rio de Janeiro, transmitindo ordens e fornecendo drogas e armas. Consta que há dois mandados de prisão em aberto contra ele, por associação para o tráfico, porte ilegal de arma e roubo qualificado.
Damião Barbosa, o “Damião de Araçagi” ou “Coroa Damião” — Integrante da alta cúpula do Comando Vermelho na Paraíba, próximo à liderança do grupo no estado. Em outubro, houve informação inicial de prisão, mas a Polícia Civil depois informou que ele segue foragido. Contra Damião existem dois mandados por roubo majorado (com qualificadoras) e por tráfico de drogas.
David Ferreira da Costa, o “Mago” — Considerado chefe do núcleo operacional do Comando Vermelho em Cabedelo. Foi alvo da operação que bloqueou bens do grupo em setembro. Possui seis mandados de prisão em aberto por crimes que incluem lavagem de bens, associação para o tráfico e participação em organização criminosa.
Edivan Melo de Jesus, o “Nego” ou “Nego 4 Boca” — Atuava como porta-voz da presidência do Comando Vermelho no estado, com influência sobre a comunidade das Quatro Bocas, em Bayeux. Há um mandado de prisão contra ele por tráfico e associação para o tráfico.
Lucian da Silva Santos, o “Galo” — Apontado como membro do conselho do Comando Vermelho na Paraíba e responsável pelo tráfico em áreas como o Mutirão, em Bayeux.
Elvis Carneiro da Silva — Tornou-se réu em 2024 pelos crimes de tráfico de drogas, crime nacional de armas e organização criminosa. Consta que há quatro mandados de prisão contra ele pela Justiça da Paraíba.
Além dos indicados pelo estado, um paraibano figura na lista do Rio de Janeiro: Edgar Alves de Andrade, o “Doca”, incluído naquela relação porque os mandados contra ele tramitam pela Justiça fluminense.
Como denunciar
O Ministério da Justiça mantém a lista completa no seu site, com nome, foto e CPF dos procurados. Denúncias podem ser feitas de forma anônima pelos telefones 190 (Polícia Militar), 197 (Polícia Civil) e 181 (disque-denúncia). O ministério recomenda mencionar que o indivíduo consta na lista de procurados do Sistema Único de Segurança Pública (Projeto Captura). A seleção dos nomes seguiu critérios como envolvimento em crimes graves, atuação em organizações criminosas e existência de mandados em aberto.
Com informações de G1


