A Auditoria-Fiscal do Trabalho, vinculada ao Ministério do Trabalho e Emprego, formalizou o embargo de um trecho da obra da Ponte do Futuro em Cabedelo depois do desabamento de uma estrutura metálica que provocou a morte de um operário e ferimentos em outros dois trabalhadores. O bloqueio abrange a paralisação total das atividades no trecho que liga as imediações da praia do Jacaré à Ilha Stuart.
Segundo o relatório da fiscalização, constatou-se risco de morte com probabilidade considerada provável, em especial porque havia trabalhos em altura sobre a água sem medidas de prevenção adequadas. O acidente fatal é apontado pela auditoria como a concretização desse risco identificado.
A apuração listou várias não conformidades, entre elas: ausência ou inadequação do sistema de proteção contra quedas; problemas nos pontos de ancoragem; irregularidades em andaimes e escadas; plataformas flutuantes sem proteção apropriada; número insuficiente de coletes salva-vidas; e condições inadequadas de organização e segurança no canteiro.
O documento também destaca que um dos trabalhadores que morreu usava um cinto de segurança preso à estrutura de um andaime, ligação que, conforme a auditoria, não configurava um sistema de proteção contra queda eficaz.
Medidas exigidas
Antes da retomada das atividades no trecho embargado, a Auditoria-Fiscal do Trabalho exigiu a implementação de medidas como análise de riscos, regularização de andaimes, plataformas e acessos, adoção de sistema de proteção contra quedas, ações específicas de segurança para trabalhos sobre a água, planos de emergência e salvamento, e capacitação e supervisão dos trabalhadores.
O relatório informa que o embargo se aplica apenas ao canteiro em Cabedelo; os trechos da obra localizados em Santa Rita e Lucena seguem em operação normalmente.
Vítimas, buscas e posicionamentos
O trabalhador morto foi identificado como Manoel Oliveira da Silva, 43 anos, natural de Araioses (MA). O corpo foi encontrado no Rio Paraíba após buscas, levado ao Instituto Médico Legal (IML) de João Pessoa e, depois de liberado, encaminhado ao estado natal da vítima. Uma das pessoas feridas foi atendida no Hospital de Trauma de João Pessoa e liberada na tarde de 21 de setembro de 2026; a outra recebeu atendimento no local e não precisou ser hospitalizada.
Em nota, o consórcio responsável pela obra lamentou o falecimento e informou que presta apoio aos familiares e colegas, além de afirmar que apura as causas do acidente. A empresa também afirmou que a queda da peça metálica não danificou a estrutura definitiva da ponte.
O Departamento de Estradas de Rodagem da Paraíba (DER-PB) declarou que o consórcio é quem se manifestaria sobre o embargo; até a última atualização da reportagem, o consórcio não havia respondido aos contatos. O Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Paraíba (Crea-PB) informou que realizou fiscalização e considerou, no âmbito de sua competência, que a obra estava regularizada com Anotações de Responsabilidade Técnica (ARTs) registradas.
O secretário de Infraestrutura do Estado, Jovânio Silva, afirmou que uma fôrma metálica utilizada na montagem se desprendeu e que o operário, preso ao cinto de segurança, acabou caindo. O governador Lucas Ribeiro informou que determinou a atuação de forças de segurança para auxiliar nas buscas pelo trabalhador desaparecido.
Obras da Ponte do Futuro foram programadas para retomar em outro trecho na quarta-feira (23), conforme registros das equipes, enquanto o trecho embargado permanece sujeito às exigências da Auditoria-Fiscal do Trabalho.
Com informações de G1

