O presidente nacional do Partido Liberal (PL), Valdemar Costa Neto, passou a ser alvo de investigação da Polícia Federal por suspeita de desvio de recursos públicos e associação criminosa em um esquema ligado a emendas parlamentares. A apuração consta em decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, que também determinou a suspensão de R$ 119 milhões em emendas apontadas como relacionadas ao caso.

O que diz o documento?

A decisão, assinada na segunda-feira (6) e divulgada na sexta-feira (10), integra desdobramentos da Operação Transparência, que apura direcionamento irregular de verbas por meio de emendas. Segundo o relatório da Polícia Federal, ao menos 21 emendas teriam sido imputadas de forma indevida, totalizando cerca de R$ 119 milhões em empenhos ou pagamentos.

De acordo com os investigadores, os recursos teriam sido tratados como “cotas pessoais privadas”, em desacordo com a legislação. A PF sustenta que, mesmo sem ocupar mandato parlamentar, Valdemar teria influenciado, de maneira clandestina, a destinação desses recursos, contando com apoio de servidores da Câmara dos Deputados para operacionalizar as indicações.

O ministro Flávio Dino registrou na decisão que os indícios apontam atuação de servidores públicos para favorecer uma pessoa sem mandato e ressaltou que o uso das emendas não pode transformar o Erário em patrimônio privado.

Associação criminosa

A investigação aponta que, entre junho de 2024 e março de 2026, Valdemar teria atuado em conjunto com três servidores da Câmara para operacionalizar o esquema. Os investigados indicados pela PF são:

  • Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, ocupante de cargo de natureza especial na Diretoria Administrativa da Câmara;
  • Nara Benedetti Nicolau Brum, analista legislativa lotada na Liderança do PL;
  • Garigham Amarante Pinto, advogado que ocupa cargo de natureza especial na Liderança do partido.

A PF afirma que Mariângela coordenava um “arranjo decisório paralelo” para registrar parlamentares como autores de emendas que, de fato, seriam definidas por Valdemar. Conforme a investigação, Nara cuidaria dos aspectos técnicos do direcionamento das verbas, enquanto Garigham atuaria como interlocutor direto do dirigente partidário, negociando valores, escolhendo beneficiários e produzindo documentos para ocultar a origem das indicações.

Defesas

A defesa de Valdemar Costa Neto disse ter recebido a medida com surpresa e negou qualquer irregularidade. Em nota, os advogados afirmaram que a decisão se apoia em “premissas frágeis” e “inferências subjetivas”, alegando ausência de prova de participação consciente do dirigente em esquema criminoso.

Os defensores também apontaram que a Procuradoria-Geral da República se manifestou contrária à adoção das medidas cautelares e defenderam que a articulação política de um presidente de partido com parlamentares é legítima e não configura crime. Valdemar preside o PL há 26 anos e já exerceu mandato de deputado federal; o partido é o mesmo do senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República.

Com informações de Polemicaparaiba