Uma coluna publicada no portal Metrópoles pelos jornalistas Tácio Lorran e Bruna Lima, neste domingo (26), divulgou supostas nomeações irregulares feitas pelo senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) nos últimos anos, envolvendo residentes de João Pessoa e do Sertão da Paraíba.

Entre os casos apresentados, está uma nomeação registrada em setembro de 2024 de uma farmacêutica para o cargo de “ajudante parlamentar sênior” no Senado, com remuneração de R$ 6,4 mil e jornada de 40 horas semanais. Segundo o levantamento, a mesma profissional figura desde 2017 como servidora da Prefeitura de Piancó, no Vale do Piancó, onde ocupa a função de coordenadora de programas federais na Secretaria Municipal de Saúde, com salário de R$ 3,2 mil e carga horária também de 40 horas, conforme o portal da transparência do município.

A apuração da coluna relata ainda que, em 2022, o senador teria nomeado o filho de um aliado influente da cidade de Sousa, no Sertão, para o posto de “ajudante parlamentar júnior”, com salário de R$ 3 mil mensais, enquanto o jovem cursava Medicina em João Pessoa. O nomeado teria sido exonerado em 2026 e, atualmente, estaria lotado na Secretaria Municipal de Saúde de João Pessoa, atuando como médico em uma unidade de saúde e recebendo R$ 12,4 mil por mês.

Outras duas nomeações apontadas pela matéria incluem: em 2021, a contratação de uma mulher para o cargo de “ajudante parlamentar júnior” enquanto ela também ocupava posição na Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (FIEPB); e, em 2019, a nomeação de um pastor que, segundo a reportagem, exercia as funções de presidente de um resort e era sócio-administrador de uma construtora na Paraíba. A publicação lembra que a Lei nº 8.112/1990 veda que servidores, efetivos ou comissionados, sejam sócios administradores de empresas.

Posicionamento do senador

Procurado pelo portal Diário do Sertão, o senador Veneziano afirmou que sua manifestação já consta na própria coluna e afirmou que a matéria “tem outras razões em ter sido produzida, que não o propósito em informar”.

Em nota, divulgada pela coluna de Tácio Lorran e Bruna Lima, a assessoria do senador afirmou que, no momento das nomeações, os servidores teriam informado ao Senado Federal que não eram sócios administrativos nem exerciam outra atividade remunerada, ressaltando que o processo de contratação de comissionados é conduzido pela Diretoria-Geral do Senado, e não pelos gabinetes, o que teria autorizado as nomeações. A equipe do senador, porém, não respondeu sobre o cargo de Bruna Priscilla na Prefeitura de Piancó.

Sobre o filho do aliado de Sousa, a nota informou que ele “exercia função de assessoria política, por vezes presencial, no estado; por vezes home office”, e que caberia ao senador gerir a organização de seu gabinete. A assessoria destacou ainda que as atribuições teriam sido exercidas em horários flexíveis compatíveis com as exigências acadêmicas do então estudante.

As informações apresentadas na coluna do Metrópoles foram repercutidas pelo portal Diário do Sertão.

Com informações de Diariodosertao