O vice-prefeito de Caaporã, Carlos Monteiro, tomou posse como prefeito interino em sessão da Câmara Municipal realizada na quinta-feira (20). A cerimônia aconteceu à tarde e foi conduzida pelo presidente do Legislativo municipal, Oto Mariano, após decisão judicial que afasta o prefeito Francisco Nazário de Oliveira (Chico Nazário), do União Brasil, em razão de uma investigação sobre supostas fraudes em contratos de coleta de resíduos e limpeza urbana.

Carlos Monteiro assinou a ata de posse minutos depois do início da sessão. Em seu discurso, pediu tranquilidade à população e afirmou que continuará a administrar com foco em melhorias para o município: “Mantenham a calma, que eu estou aqui, e o trabalho continua. Somos uma equipe, sozinhos não chegamos a lugar nenhum. Vamos trabalhar ainda mais por Caaporã, vamos fazer a diferença”. A fala do interino foi recebida com aplausos dos presentes.

As investigações

A ação policial que resultou no afastamento do prefeito foi deflagrada na manhã de quinta-feira (20) pela Polícia Civil juntamente com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público. Batizada de Operação Purgatório, a operação cumpriu mandados na Prefeitura e em outras residências e endereços em Caaporã, no Litoral Sul da Paraíba.

Segundo o Gaeco, a investigação busca desarticular uma possível organização criminosa no âmbito do Poder Executivo municipal, com foco no prefeito Chico Nazário. Em consequência da operação, o Tribunal de Justiça da Paraíba (TJPB) acolheu o pedido judicial de afastamento do gestor.

Imagens divulgadas em 2024 mostram o então prefeito recebendo uma bolsa com dinheiro em espécie, apontada pelo Blog e pelo Jornal da Paraíba como um montante de R$ 400 mil, fato que motivou a abertura de apurações. O Gaeco estimou que o prejuízo ao erário pode chegar a cerca de R$ 2 milhões. Além das supostas fraudes na contratação do serviço de coleta de lixo, as investigações incluem indícios de falsidade ideológica, uso de documento falso e lavagem de capitais.

De acordo com o inquérito, o valor entregue em 2024 teria sido destinado à campanha de Chico Nazário e ao então candidato a vice, Carlos Monteiro, pelo consultor financeiro Sandro Trajano de Freitas. Em troca, Sandro indicaria empresa para prestar o serviço de recolhimento de resíduos ao município.

Vídeos que motivaram a apuração

Dois vídeos citados pelas investigações mostram tratativas entre Chico Nazário e Sandro Trajano. No primeiro registro, o gestor aparece recebendo dinheiro e demonstra preocupação em ser filmado: “Essa minha casa ela não tem… como ela não tem muro na frente, eu fico com medo dos caras coloquem uma câmera aí na frente. E o cara sair com dinheiro?”.

No segundo vídeo, as imagens mostram negociações sobre a contratação da empresa indicada por Sandro. Em diálogo gravado, o consultor afirma que seu interesse é comercial e condiciona a indicação ao cumprimento de um acerto financeiro mensal. Em resposta, o prefeito diz: “O lixo é seu. Se você botar qualquer pessoa, é seu. É nosso, né?”. O consultor complementa: “É nosso, porque tu tem meio a meio comigo, agora… do jeito que tá, tá difícil. Não tá dando nem pra mim”.





As apurações seguem em curso e o afastamento do prefeito permanece enquanto perdurar a medida cautelar determinada pela Justiça.

Com informações de Jornaldaparaiba