A política municipal na Paraíba já registrou diversas transições em que prefeitos renunciaram para concorrer ao Governo do Estado, abrindo caminho para que seus vices assumissem as prefeituras. Essas sucessões alteraram o cenário administrativo e político nas cidades, com desdobramentos eleitorais e mudanças nas alianças partidárias.
Ricardo Coutinho e Luciano Agra (João Pessoa)
Ricardo Coutinho venceu a Prefeitura de João Pessoa em 2004 com o apoio do MDB e do então senador José Maranhão. Para a chapa, inicialmente foi escolhido Manoel Júnior como vice, que deixou a Assembleia Legislativa; depois, em 2008, Luciano Agra, então secretário de Planejamento e recém-filiado ao PSB, integrou a chapa na reeleição.
No dia 31 de março de 2010, Ricardo Coutinho renunciou ao cargo para disputar o Governo do Estado, deixando Luciano Agra como prefeito da Capital. Ricardo foi eleito governador em turno suplementar, vencendo o segundo turno contra José Maranhão.
Em 2012 houve ruptura entre Agra e Ricardo: Agra cogitou a candidatura à Prefeitura, retirou-se e depois retomou a intenção, mas o governador apoiou Estela Bezerra, que venceu a prévia interna do PSB. O rompimento levou Agra a apoiar Luciano Cartaxo, que acabou vencedor nas eleições municipais daquele ano. Após deixar a Prefeitura, Agra integrou em 2014 a chapa de Wilson Santiago como primeiro suplente ao Senado (a chapa ficou em terceiro lugar). Luciano Agra faleceu em 10 de dezembro de 2014, aos 62 anos, em decorrência de complicações por um AVC.
Cássio Cunha Lima e Cozete Barbosa (Campina Grande)
Cássio Cunha Lima retornou à Prefeitura de Campina Grande em 1996 e, para a reeleição em 2000, formou aliança com o PT e com a vereadora Cozete Barbosa — que havia obtido votação surpreendente ao disputar o Senado em 1998, com mais de 200 mil votos e terceiro lugar.
A chapa conquistou mais de 70% dos votos na reeleição. Em 5 de abril de 2002, Cássio renunciou ao cargo para disputar o Governo do Estado, enfrentando o vice-governador Roberto Paulino, apoiado por José Maranhão. Após a vitória de Cássio, a aliança entre Cozete e o governador não se sustentou.
Em 2004 Cozete decidiu concorrer à Prefeitura sem o apoio do antigo colega de chapa; o grupo do governador apoiou Rômulo Gouveia, com Daniella Ribeiro como vice. No primeiro turno, Rômulo teve 89.730 votos (45,73%) e Veneziano Vital do Rêgo 82.917 (42,26%). Cozete, que alcançara quase 19 mil votos, declarou apoio à oposição no segundo turno, e Veneziano venceu por 101.900 (50,19%) a 101.109 (49,81%), margem de 790 votos, encerrando 22 anos de domínio da família Cunha Lima em Campina Grande.
Posteriormente, Cozete enfrentou problemas judiciais relacionados ao seu mandato, e as eleições de 2014 foram as últimas em que participou.
Wilson Braga e Carlos Mangueira (João Pessoa)
Wilson Braga teve longa trajetória política: eleito deputado estadual pela primeira vez em 1954, passou por diversos partidos e cargos, foi eleito governador em 1982 e candidatou-se ao Senado em 1986, ficando em terceiro lugar. Em 1988 disputou e venceu a Prefeitura de João Pessoa com 77.377 votos (52,35%), contra 28.183 (19,07%) de João da Mata e 25.397 (17,18%) de Haroldo Lucena.
Braga renunciou ao mandato para disputar o Governo do Estado em 1990, quando acabou derrotado por Ronaldo Cunha Lima. Seu vice, Carlos Mangueira, assumiu a Prefeitura em abril de 1990 e permaneceu no cargo até dezembro de 1992. Mangueira já havia sido vereador em João Pessoa, presidido a Câmara e ocupado cargos de secretaria e chefia na administração municipal durante a trajetória dos Bragas.
Após deixar a Prefeitura, Mangueira foi candidato à Assembleia em 1994 como suplente e, em 1998, elegeu-se deputado estadual pelo MDB com 14.797 votos. Não conseguiu a reeleição em 2002 e, mais tarde, trabalhou no governo de José Maranhão entre 2009 e 2010.
Esses episódios mostram como renúncias para disputar o Governo do Estado repactuaram lideranças locais e influenciaram eleições municipais subsequentes na Paraíba.
Com informações de Polemicaparaiba



