Uma operação da Justiça autorizou a prisão de um delegado e de policiais civis em João Pessoa sob a suspeita de participação em uma organização criminosa que desviava drogas apreendidas e vendia o material ilegalmente. Segundo a decisão judicial que permitiu prisões e buscas, investigadores envolvidos no esquema tentaram ficar com parte do dinheiro proveniente da venda de entorpecentes que teria como destino o delegado Braz Morroni, também preso.

O documento acessado pela reportagem descreve que um dos agentes, identificado como Everton Rychelyson da Silva Aires, planejou omitir da chefia uma venda no valor de R$ 18 mil com o objetivo de “reter a cota do delegado e reinvestir no tráfico”. A mesma decisão aponta que, após o recebimento do valor da venda, o delegado Braz Morroni teria comparecido pessoalmente à delegacia para recolher a sua parte em dinheiro.

A investigação cita ainda Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como “Mão Branca”, como o segundo investigador que teria tratado com Everton sobre o desvio das drogas. O inquérito indica transferências financeiras de contas ligadas a Everton para contas associadas ao delegado e interceptações que apontariam a reserva de parcela dos lucros para Braz Morroni.

Acusações e provas apontadas

Os autos afirmam que o delegado recebia repasses oriundos das negociações realizadas pelos investigadores, cobrava rapidez na recuperação de valores de vendas a prazo e se valia da posição hierárquica para garantir proteção institucional ao grupo. A Justiça determinou cumprimento de mandados que resultaram na prisão de nove pessoas e em 24 buscas e apreensões, além do bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões dos investigados.

Entre os presos apontados pela investigação estão Everton Aires (apelidado “Bomba” ou “Bombado”), apontado como operador central, e Eduardo Jorge Ferreira (“Mão Branca”). Outros nomes relacionados à operação são João Wicttor Alves de Lima; Brendo Roberth Fernandes Sobral; Paulo Ricardo Barbosa de Souza (“Galinha”); José Alexandrino de Lira Júnior (“Júnior Lira”); Vanessa Dantas Fernandes; e Dankennedy Vieira Brito da Silva (“Babau”).

Defesas e prisão temporária

A defesa do delegado afirmou ao veículo que a decisão judicial se apoiou integralmente em relatórios policiais com conversas indiretas entre agentes e terceiros, sem registro de diálogo do delegado com os investigados, e criticou falta de individualização das condutas. Os defensores disseram que o delegado está sendo preso antes de ser ouvido e que a investigação esclarecerá os fatos.

Durante audiência de custódia, a defesa pediu a conversão da prisão temporária em domiciliar por alegação de diagnóstico prévio de câncer de próstata, com documentos de 2023 e 2024. A magistrada responsável afirmou não haver laudo médico atualizado que comprovasse quadro atual que justificasse a prisão domiciliar e manteve a prisão temporária por 30 dias, determinando o encaminhamento do custodiado ao Presídio Especial do Valentina. A avaliação final sobre o pedido de prisão domiciliar caberá à vara que autorizou as prisões.

Com informações de G1