Justiça mantém prisões de delegado e agentes ligados a esquema de desvio de drogas
A Justiça da Paraíba decidiu manter a prisão do delegado Braz Morroni e de dois agentes da Polícia Civil detidos durante a Operação Perfídus, deflagrada em João Pessoa. Os três passaram por audiência de custódia e tiveram as prisões temporárias mantidas, sendo encaminhados ao Presídio Especial do Valentina.
Além do delegado e dos dois agentes, outras cinco pessoas presas na operação também tiveram as prisões temporárias confirmadas pela Justiça. No total, oito dos nove mandados de prisão foram cumpridos; o único alvo não localizado durante a ação é Dankennedy Vieira Brito da Silva, conhecido como “Babau”, que é apontado como o autor da denúncia e, segundo a polícia, está fora do estado.
Os presos identificados incluem, além de Braz Morroni, os agentes Everton Rychelyson da Silva Aires (conhecido como “Bomba” ou “Bombado”) e Eduardo Jorge Ferreira do Egito (apelidado “Mão Branca”). Outros detidos são João Wicttor Alves de Lima; Brendo Roberth Fernandes Sobral; Paulo Ricardo Barbosa de Souza (“Galinha”); José Alexandrino de Lira Júnior (“Júnior Lira”) e Vanessa Dantas Fernandes. A defesa de Braz Morroni divulgou nota ressaltando o direito à presunção de inocência e informou que irá analisar os autos para adotar medidas cabíveis visando restaurar a liberdade do delegado.
Segundo a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), a investigação teve início após denúncia de um suspeito de tráfico. As apurações apontaram que agentes públicos teriam usado a estrutura estatal para viabilizar atividades criminosas, entre elas o desvio de drogas que deveriam ser apreendidas ou incineradas.
De acordo com a Polícia Civil, Everton atuava como operador central, fazendo a interlocução entre policiais e traficantes. Eduardo é apontado como participante direto nas subtrações de entorpecentes, monitorando carregamentos, utilizando rastreadores e ocultando drogas em sua residência. O delegado Braz Morroni é investigado por integrar a divisão dos lucros obtidos com a venda das drogas desviadas, tendo recebido repasses financeiros e supostamente usado o cargo para proteger subordinados envolvidos no esquema.
As autoridades relataram que traficantes informavam a localização de drogas armazenadas por outros grupos; os policiais efetuavam apreensões e repassavam os entorpecentes a criminosos de confiança, integrando uma mesma organização. Durante a operação foram cumpridos mandados de busca e apreensão e a Justiça determinou o bloqueio de recursos financeiros dos investigados.
O secretário de Segurança Pública da Paraíba informou que os policiais presos serão afastados das funções e podem responder a procedimentos administrativos, com risco de expulsão da corporação.
Com informações de G1


