Padre reconhece ofensas feitas em homilia e se retrata publicamente
O padre Danilo César, da paróquia de Areial, no Agreste paraibano, fez um pedido público de desculpas à família da cantora Preta Gil durante a celebração dominical em que leu integralmente o texto previsto em acordo firmado com os representantes da família na Justiça Cível do Rio de Janeiro. A missa foi transmitida ao vivo pelo canal da paróquia no YouTube.
No pronunciamento, o sacerdote afirmou que as palavras proferidas na homilia de 27 de julho de 2025 foram ofensivas e inadequadas, reconhecendo ter causado dor aos membros da família Gil. Ele dirigiu-se nominalmente a Gilberto Passos Gil Moreira, Flora Nair Giordano Gil Moreira, Francisco Gadelha Gil Moreira Muller de Sá, Nara Aguiar Gil Moreira, Marília de Aguiar Gil Moreira, Maria Gadelha Gil Moreira, Bem Giordano Gil Moreira, Isabela Giordano Gil Moreira e José Gil Giordano Gil Moreira, além de mencionar a memória de Preta Maria Gadelha Gil Moreira.
O padre ressaltou a importância da liberdade religiosa como pilar dos direitos humanos e afirmou que é necessário respeitar quem professa crenças diferentes da fé católica. Em referência às religiões de matriz africana, ele admitiu não ter reconhecido em sua fala anterior a relevância histórica e cultural dessas tradições para a diversidade brasileira e pediu desculpas, comprometendo-se a não repetir tais declarações.
O pedido de retratação foi realizado no domingo (10), Dia das Mães, e a cerimônia foi filmada e transmitida ao vivo pelo YouTube da paróquia, medida adotada para que o pedido tivesse o mesmo alcance do episódio em que as ofensas ocorreram. Além da leitura pública das desculpas, o acordo prevê a doação de oito cestas básicas a uma instituição social, com a Diocese de Campina Grande como parte do termo firmado.
O caso remonta à homilia de 27 de julho, quando o padre relacionou a morte da cantora — ocorrida nos Estados Unidos por câncer colorretal — a práticas de religiões afro-indígenas, em declarações que repercutiram nas redes sociais e levaram à retirada do vídeo original do ar. Na ocasião, ele também se referiu a essas práticas como “coisas ocultas” e manifestou desejo de que o diabo levasse quem procurasse tais rituais. As falas motivaram denúncia por intolerância religiosa registrada pela Associação Cultural de Umbanda, Candomblé e Jurema Mãe Anália Maria, presidida por Rafael Generiano.
Além do acordo com a família de Preta Gil na Justiça Cível, que evitou o pagamento de R$ 370 mil em danos morais, Danilo César celebrou anteriormente um termo com o Ministério Público Federal que afastou a responsabilização criminal. Entre as contrapartidas previstas naquele acordo constaram a participação em ato inter-religioso — realizado em fevereiro com a participação remota de Gilberto Gil — a leitura e produção de resenhas manuscritas de obras selecionadas, a elaboração de resenha do documentário Obatalá, o Pai da Criação, a conclusão de 60 horas de cursos certificados sobre intolerância religiosa e o pagamento de R$ 4.863,00 à Associação de Apoio aos Assentamentos e Comunidades Afrodescendentes (AACADE).
O padre declarou que lamenta as ofensas e afirmou assumir o compromisso de não repetir as falas que motivaram a denúncia e os acordos firmados.
Com informações de G1




