A Companhia de Água e Esgotos da Paraíba (Cagepa) atribuiu, em nota divulgada nesta segunda-feira (5), o surgimento da chamada “língua negra” em trechos do litoral de João Pessoa a deficiências no sistema de drenagem urbana e a lançamentos irregulares de esgoto na capital paraibana.
No comunicado, a estatal ressalta que o seu sistema de coleta e tratamento de esgoto opera normalmente e que não existem falhas estruturais capazes de explicar o fenômeno observado no mar. A empresa reconheceu apenas um caso isolado de extravasamento em um Poço de Visita, registrado em 30 de dezembro, fora da área afetada. Segundo a Cagepa, o problema foi provocado por obstrução na tubulação e solucionado de forma imediata.
A companhia sustenta que o escurecimento da água é consequência do transporte de poluentes acumulados nas galerias de águas pluviais, construídas para receber exclusivamente a água das chuvas. Essas estruturas, lembra a Cagepa, são de responsabilidade da Prefeitura de João Pessoa.
Origem dos poluentes
De acordo com a nota, três fatores estão entre os principais responsáveis pelo carregamento de resíduos até o mar: ligações clandestinas de esgoto realizadas ao longo de décadas, o rebaixamento do lençol freático em áreas urbanizadas e o acúmulo de detritos que acabam empurrados pelas chuvas mais intensas para a costa.
Posicionamento da Prefeitura
A administração municipal confirma que a manutenção, limpeza e fiscalização das galerias pluviais competem à própria Prefeitura, por meio da Secretaria de Meio Ambiente (Semam). O município reconhece que conexões irregulares de esgoto nesses canais são uma das principais causas da poluição que atinge rios, manguezais e o litoral da cidade.
O poder público municipal acrescenta que, quando há extravasamentos em poços de visita, a correção é atribuição da Cagepa. Nesses episódios, o esgoto pode alcançar a superfície e seguir o fluxo das galerias pluviais até o oceano, prejudicando a qualidade da água e a balneabilidade das praias.
Sem informar prazos, tanto a Cagepa quanto a Prefeitura de João Pessoa afirmam manter equipes em campo para identificar irregularidades e adotar medidas que minimizem os impactos ambientais na orla.
Com informações de Maispb



