O deputado federal Luiz Couto, único representante do PT na bancada da Paraíba na Câmara, declarou apoio à pré-candidatura do vice-governador Lucas Ribeiro (Progressistas) ao Governo do Estado, antes mesmo de qualquer definição das instâncias partidárias. A atitude do parlamentar provocou reação imediata na cúpula estadual da sigla.

Posicionamento da direção estadual

A presidente do diretório paraibano, deputada estadual Cida Ramos, classificou como “atitude individual” a manifestação de Couto. Ela enfatizou que o PT ainda não assumiu posição oficial sobre alianças em disputas majoritárias neste ano e que há correntes internas inclinadas a apoiar outras candidaturas.

Segundo Cida Ramos, o partido ainda está sendo sondado tanto por Lucas Ribeiro, apoiado pelo governador João Azevêdo (PSB), quanto pelo prefeito de João Pessoa, Cícero Lucena (MDB), com o aval do senador Veneziano Vital do Rêgo. As conversas envolvendo o diretório local já foram encaminhadas à comissão nacional do PT, que delegou às instâncias estaduais a responsabilidade de definir acordos.

Estratégia para as eleições

Sem força para lançar candidatura própria ao governo, o PT paraibano busca espaço em chapas de outros partidos. Há ofertas de participação, como a vaga de vice-governador, mas as tratativas ainda não avançaram o suficiente para consolidar um apoio formal. Paralelamente, o foco principal do partido está na estruturação das bases para a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, estratégia que prevê uma ampla coalizão, incluindo setores de esquerda e do centro, e até parcerias pontuais com legendas de direita moderada.

O ex-prefeito de João Pessoa e deputado estadual Luciano Cartaxo cobrou rapidez na definição do PT local. Em entrevista à Rádio Arapuan, ele afirmou que a indefinição prejudica candidaturas proporcionais à Assembleia Legislativa e à Câmara Federal. Em resposta, Cida Ramos explicou que o partido participa de uma agenda nacional de articulações e confirmou que, em fevereiro, haverá reunião com o presidente nacional do partido, Edinho Silva, possivelmente contando com a presença do presidente Lula.

Nos bastidores, o clima de divisão persiste. Na disputa ao Senado, o próprio Lula já manifestou preferência pelos nomes do governador João Azevêdo e do senador Veneziano Vital do Rêgo, que são rivais entre si. Um terceiro pré-candidato, o prefeito de Patos, Nabor Wanderley, ainda busca o apoio da direção nacional, mas não obteve sinalização clara.

O PT na Paraíba enfrenta o desafio de superar a fragilidade de representação política e a dificuldade de construir alianças estáveis. A trajetória da sigla no Estado é marcada por avanços e recuos, reflexo das diferentes correntes internas e disputas por espaço. O ex-governador Ricardo Coutinho, figura de destaque no cenário local, prepara-se para disputar pela primeira vez uma vaga na Câmara dos Deputados, com chances apontadas como favoráveis.

Em 1982, o PT lançou sua primeira candidatura ao governo da Paraíba, o advogado Derly Pereira, que ficou em terceiro lugar em disputa polarizada. Desde então, o partido alternou conquistas, como a prefeitura de João Pessoa, e derrotas, muitas vezes ligadas à falta de unidade interna. Nas eleições de 2024, Cida Ramos foi candidata ao governo, mas não alcançou o segundo turno, vencido por Cícero Lucena e Marcelo Queiroga.

À medida que se aproximam os pleitos estadual e federal, o PT paraibano segue em busca de um caminho que fortaleça sua presença nas urnas e garanta influência nas composições de poder.

Com informações de Polemicaparaiba