A Polícia Federal prendeu, na quarta-feira (16), o empresário Guilherme Ricardo Fuhr em um hotel de João Pessoa durante a Operação NarcoFluxo, ação que investiga uma organização suspeita de lavar mais de R$ 1,6 bilhão. A operação também resultou nas detenções dos cantores MC Ryan SP e MC Poze do Rodo e de outros envolvidos.

Documentos obtidos pela Polícia Federal e pela 5ª Vara Federal de Santos descrevem Fuhr, natural de Santa Catarina, como integrante do “núcleo financeiro-empresarial” da organização. Segundo as peças processuais, ele teria utilizado empresas de sua administração, entre elas a Digito Intermediação e a GRF Assessoria LTDA, como fachadas para movimentar, ocultar e reinserir recursos supostamente provenientes de apostas ilegais.

Função atribuída a Fuhr e relação com beneficiários

Conforme a investigação, Fuhr seria o facilitador financeiro do esquema e também financiador de despesas pessoais do artista identificado como principal beneficiário econômico, Ryan Santana dos Santos, o MC Ryan SP, de 25 anos. A representação da Polícia Federal aponta técnicas típicas de lavagem de dinheiro, como uso de empresas de fachada, fragmentação de transações, triangulações e circulação internacional de valores.

Além dos cantores, foram presos os influenciadores Raphael Sousa Oliveira, criador da página Choquei, e Chrys Dias, que tem cerca de 15 milhões de seguidores, além de outros produtores de conteúdo. As defesas deram declarações a respeito: a representação de MC Ryan afirmou que ainda não teve acesso aos autos que correm em sigilo e negou irregularidades, afirmando que todas as movimentações em suas contas teriam origem comprovada. A defesa de MC Poze, Marlon Brandon Coelho Couto Silva, de 27 anos, informou não conhecer os autos e disse que se manifestará na Justiça quando tiver acesso aos documentos. Poze foi detido em sua residência em um condomínio no Recreio dos Bandeirantes, Zona Sudoeste do Rio de Janeiro.

O advogado de Raphael Oliveira declarou que o vínculo do cliente com as apurações se restringe à prestação de serviços publicitários por sua empresa, responsável por comercializar espaços de divulgação digital. A defesa de Chrys Dias não foi localizada.

Desdobramentos da operação

A Operação NarcoFluxo contou com o apoio da Polícia Militar de São Paulo e envolveu cerca de 200 policiais federais. Foram cumpridos 39 mandados de prisão temporária e 45 de busca e apreensão em endereços espalhados por São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Espírito Santo, Maranhão, Santa Catarina, Paraná e Goiás, além do Distrito Federal e da Paraíba. Também houve determinação de sequestro de bens.

As autoridades informaram que a organização empregava um sistema para ocultar valores, fazendo uso de transporte de numerário, operações de alto valor e transações com criptoativos. Foram apreendidos veículos, valores em espécie, documentos, equipamentos eletrônicos, armas e um colar com imagem do narcotraficante Pablo Escobar dentro de um mapa do estado de São Paulo.

As investigações seguem em curso e os envolvidos poderão responder pelos crimes de associação criminosa, lavagem de dinheiro e evasão de divisas.

Com informações de Jornaldaparaiba