A Polícia Civil da Paraíba, por meio da Delegacia de Pombal, concluiu o inquérito que apurou o surto de intoxicação alimentar registrado em Pombal, no Sertão do estado, envolvendo clientes da pizzaria La Favoritta. A investigação reuniu exames periciais, laudos técnicos e depoimentos para esclarecer as circunstâncias do episódio ocorrido na noite de 15 de março de 2026.

Segundo o relatório policial, dezenas de pessoas procuraram atendimento médico após consumirem pizzas de carne vendidas pelo estabelecimento. Ao todo, 117 pacientes foram atendidos no Hospital Regional de Pombal e na Unidade de Pronto Atendimento (UPA). As vítimas relataram náuseas, palidez, vômitos, diarreia e sudorese. Uma das pessoas que consumiram o produto, identificada como Raissa Maritein Bezerra e Silva, faleceu dois dias após a ingestão.

Exames laboratoriais e local da contaminação

Durante a apuração, a pizzaria foi vistoriada e houve apreensão de alimentos, ingredientes e pizzas recolhidas com clientes que também passaram mal. Os laudos do Instituto de Polícia Científica da Paraíba (IPC-PB) apontaram a presença de Escherichia coli e de estafilococos coagulase no molho de tomate e nas amostras das pizzas analisadas.

O relatório pericial observou que a carne, quando examinada ainda na origem, não apresentou sinais de contaminação, o que indicou que o problema teria ocorrido durante o processo de manipulação dos alimentos dentro da pizzaria. Exames realizados nas vítimas também detectaram contaminação bacteriana, e o laudo relacionou o óbito ao quadro de infecção intestinal aguda grave. As análises descartaram a presença de substâncias tóxicas exógenas, como venenos ou entorpecentes.

Apesar da constatação do surto e das irregularidades sanitárias, a investigação não conseguiu identificar, de forma individualizada, um agente responsável pela contaminação que pudesse ser imputado penalmente pelo resultado da morte ou pelas lesões sofridas pelas vítimas. Em razão disso, não foi atribuída responsabilidade criminal direta ao proprietário do estabelecimento.

Contudo, a Polícia Civil entendeu que há elementos para enquadramento no crime contra as relações de consumo, previsto no art. 7º, inciso IX, da Lei nº 8.137/90, em função do número de pessoas atingidas. A pizzaria segue interditada pela Vigilância Sanitária, e houve representação pela interdição judicial do local. O inquérito foi finalizado e remetido ao Poder Judiciário para as providências cabíveis.

Com informações de Diariodosertao