Um elevador despencou do terceiro andar de um prédio no condomínio Reserve Altiplano I, no bairro do Altiplano, em João Pessoa, na tarde de quarta-feira (13). Na cabine estavam uma mulher de 36 anos e seus dois filhos, de 3 e 5 anos. Após a queda, as três pessoas ficaram presas no fosso do equipamento até que moradores abriram a porta da cabine e iniciaram o resgate antes da chegada das equipes de socorro.

A mulher sofreu lesão na coluna e foi diagnosticada com paraplegia. Ela recebeu atendimento inicial no Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa e, posteriormente, foi transferida para um hospital particular da cidade. Na quinta-feira (14) ela passou por cirurgia no Hospital Nossa Senhora das Neves e permaneceu com quadro clínico estável segundo os médicos responsáveis.

As crianças apresentaram apenas escoriações leves e receberam alta do Trauma. De acordo com a reportagem, elas estão sob os cuidados de um morador do condomínio, amigo da mãe, e permanecem no apartamento da família.

Laudo técnico e falhas apontadas

Um laudo elaborado entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 apontou diversas não conformidades no elevador do Bloco B, onde ocorreu o desabamento. O documento indica falta de sinalização de segurança e de controle de acesso à casa de máquinas, ausência de extintor de incêndio adequado, iluminação de emergência insuficiente e problemas no aterramento elétrico. Também foram relatadas ventilação inadequada, desorganização da instalação elétrica e ausência de dispositivos para resgate emergencial.

O relatório ressalta ainda que a máquina de tração do sistema não suportava a capacidade de peso prevista e não atendia às normas de segurança, recomendando a substituição completa do equipamento, com prioridade classificada como “alta”. Entre as irregularidades citadas estão o uso de fita isolante em uma das corrediças e a falta de freios em outro elevador. Não houve confirmação pública sobre a correção dessas falhas nem sobre se o elevador que caiu apresentava exatamente os mesmos problemas do laudo.

Decisão judicial e interdições

A juíza Shirley Abrantes, da 8ª Vara Cível de João Pessoa, determinou que a construtora GGP substitua integralmente os elevadores do Reserve Altiplano I. Na decisão, a magistrada considerou que as deficiências observadas configuram falhas graves de projeto e instalação, atribuídas à construtora com base em dispositivos do Código Civil e do Código de Defesa do Consumidor. A troca deve ser feita com urgência: após a realização de perícia e nova vistoria pela construtora, os equipamentos deverão ser substituídos em até 90 dias, com apresentação de cronograma. A empresa pode ser multada em R$ 5 mil por dia em caso de descumprimento.

Em função do acidente, a Defesa Civil de João Pessoa interditou, na quinta-feira (14), os elevadores do condomínio onde ocorreu a queda. Na sexta-feira (15), a Defesa Civil também interditou 12 elevadores do Reserve Altiplano 2, empreendimento vizinho e da mesma construtora. O coronel Kelson de Assis, coordenador da Defesa Civil Municipal, informou que a interdição atendeu a pedido do Conselho Regional de Engenharia e Agronomia da Paraíba (CREA-PB).

Posicionamentos

A construtora GGP disse por meio de nota que a responsabilidade pela manutenção dos equipamentos de uso comum, incluindo elevadores, passa a ser do condomínio a partir do uso regular pelos moradores, e afirmou estar à disposição das autoridades e da administração condominial para colaborar com as apurações. A empresa também afirmou que a administração do condomínio é responsável por acompanhar as interdições; a administração, no entanto, não foi localizada pela reportagem.

O condomínio informou, em comunicado, que a prioridade imediata após o desabamento foi o atendimento à mulher e às duas crianças, prestando apoio às famílias. Segundo a administração, problemas técnicos nos elevadores vinham sendo registrados desde a entrega do empreendimento e, diante da falta de solução definitiva, foi acionada a Justiça para pleitear a substituição dos equipamentos.





Segundo o diretor do Trauma, Laécio Bragante, o diagnóstico de paraplegia foi confirmado a partir de tomografia e exames realizados pelo setor de neurocirurgia, e a família solicitou a transferência da paciente para um hospital particular. Moradores relataram à TV Cabo Branco que a vítima é natural do Suriname, tem família na Holanda e morava na cidade com os dois filhos por trabalhar remotamente e apreciar o clima de João Pessoa.

O caso segue sob apuração e com medidas judiciais e administrativas em curso.

Com informações de Jornaldaparaiba