Um relatório técnico anual elaborado por empresa privada no condomínio Reserve Altiplano I, em João Pessoa, encontrou fita isolante aplicada nas corrediças de um dos elevadores e registrou falta de freios em outro equipamento do residencial onde um elevador despencou, deixando uma mulher paraplégica e duas crianças feridas. O documento, identificado como Relatório de Inspeção Anual (RIA), foi usado pela juíza Shirley Abrantes para ordenar a substituição completa dos elevadores pela construtora GGP, sob pena de multa.
O laudo descreve que a fita isolante foi usada como solução diante do desgaste das corrediças e classifica essa prática como um defeito que exige troca das peças. Em relação ao segundo elevador, a vistoria indicou não conformidade no sistema de freio de segurança: o equipamento estava inoperante, com uma mola do freio apresentando pouca pressão e sem contato do freio de segurança, condição enquadrada pelos peritos como de alta prioridade e que demanda reparo imediato.
O documento técnico também aponta problemas adicionais que afetam o funcionamento e a segurança dos aparelhos, entre eles capacidade inadequada da máquina de tração, ausência ou mau funcionamento dos circuitos de segurança e falta de para-choques, além de outras intervenções necessárias para evitar paralisações e riscos futuros. Não há informação nos autos sobre se as falhas apontadas foram corrigidas e também não está confirmado se o elevador que sofreu o acidente apresentava os mesmos defeitos.
A construtora GGP informou que ainda não recebeu intimação sobre o processo, reiterando em nota que a responsabilidade pela manutenção dos equipamentos de uso comum cabe ao condomínio a partir do momento em que os moradores utilizam regularmente os aparelhos, e que permanece à disposição das autoridades e da administração condominial para colaborar nas apurações.
A Defesa Civil de João Pessoa interditou 11 elevadores no empreendimento vizinho Reserve Altiplano 2, após indicação do CREA-PB. Segundo o coronel Kelson de Assis, a medida decorreu de pedido do conselho profissional. A administração do condomínio onde ocorreu o acidente informou que priorizou o atendimento às vítimas e afirmou que problemas técnicos vinham sendo registrados desde a entrega do empreendimento, motivo pelo qual acionou a Justiça para pedir a troca dos equipamentos.
Uma mulher de 36 anos que estava na cabine sofreu lesão na coluna e teve diagnóstico de paraplegia; ela passou por cirurgia no Hospital Nossa Senhora das Neves e seu quadro é considerado estável. As duas crianças que acompanhavam a vítima, de 3 e 5 anos, receberam atendimento no Hospital de Emergência e Trauma de João Pessoa e tiveram alta. O diretor do Trauma, Laécio Bragante, confirmou o diagnóstico e informou que a família solicitou transferência da paciente para um hospital particular.
Na decisão judicial que determinou a troca, a magistrada considerou presentes falhas estruturais nos elevadores e vinculou a responsabilidade à construtora, estabelecendo prazo de conclusão das substituições e aplicação de multa diária em caso de descumprimento.
Com informações de G1


