A primeira audiência de instrução do processo contra Ailton Nascimento, apontado pela Polícia Civil como mandante da morte do casal Nelson e Célia Honorato e da tentativa de homicídio do filho deles em Sapé (PB), teve depoimentos de testemunhas, mas foi suspensa e terá sequência em data remarcada.
O ato ocorreu na 1ª Vara Cível da Comarca de Sapé e, segundo informações do tribunal, 25 pessoas foram ouvidas entre 9h e 16h. Entre elas estavam testemunhas de acusação. O réu permaneceu sem depoimento nessa ocasião. A juíza responsável interrompeu a sessão e agendou a retomada da audiência para quarta-feira (27). Há expectativa de que mais 11 testemunhas prestem depoimento antes da prolação de sentença.
Enquanto a instrução não é concluída, Ailton e outros três acusados foram retornados ao presídio em Sapé, onde já estavam custodiados. A investigação atribui ao acusado o papel de falso corretor de imóveis que teria conquistado a confiança das vítimas durante a tentativa de venda do imóvel, com a motivação apontada pela Polícia Civil de ficar com a propriedade.
Relembre o caso
Conforme apurado pelas investigações, o casal Nelson e Célia Honorato desapareceu em 18 de agosto de 2025. No mesmo dia, os dois teriam sido mortos. A polícia afirma que, após o crime, os corpos foram levados por Ailton e outro suspeito, identificado como Nicolas Jefferson, de 19 anos, para uma área de mata, onde teriam sido enterrados enrolados em cobertores. Em 29 de setembro de 2025, o Instituto de Polícia Científica (IPC) confirmou que os restos encontrados naquela área pertenciam aos idosos.
No relato policial, Nicolas teria participado diretamente das agressões com um martelo, atingindo Nelson durante a visita ao imóvel. Ailton teria dado continuidade às agressões e também organizado a presença de Célia, que teria sido chamada aos fundos da residência e morta em seguida. O filho do casal, um homem autista de 27 anos, foi mantido trancado em um quarto e sofreu tentativa de homicídio dias depois, mas sobreviveu.
Investigações e prisões
A Polícia Civil já prendeu ao menos outros cinco suspeitos ligados ao caso. Em outubro de 2025, um homem de 50 anos foi detido no bairro Oitizeiro, em João Pessoa, apontado como envolvido na execução de Célia. Nicolas foi preso em 17 de setembro e, segundo a polícia, confessou o crime, apontando Ailton como mandante. Ailton foi capturado em 26 de agosto dentro de um ônibus em Jaguaquara (BA) e teve a prisão cautelar mantida em audiência de custódia antes de ser transferido para a Paraíba.
Após a morte dos idosos, consta que Ailton chegou a vender a casa após obter uma procuração que lhe permitiu negociar o imóvel. A investigação registra também que um homem de 25 anos confessou a tentativa de homicídio contra o filho do casal, alegando ter sido contratado pelo suposto corretor.
A ação do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis da Paraíba (Creci-PB) também foi acionada: o órgão informou ter verificado que o investigado não possui registro profissional e afirmou que tomará as medidas cabíveis junto às autoridades.
O processo segue com nova sessão marcada para a continuidade da instrução, quando a defesa e demais testemunhas ainda poderão ser ouvidas.
Com informações de G1



