A Corte Suprema de Cassação, o tribunal de maior instância da Itália, rejeitou nesta sexta-feira, 23 de maio de 2026, o pedido de extradição da ex-deputada Carla Zambelli para o Brasil. Com a decisão, foi anulada a autorização anterior concedida pela Corte de Apelação que permitia o envio da parlamentar para cumprimento de pena no país.
O recurso apresentado pela defesa foi apreciado por um grupo de seis magistrados durante audiência realizada na manhã de sexta, em Roma. Após aproximadamente uma hora de debate, os juízes votaram a favor de Zambelli. As fundamentações formais da decisão ainda serão divulgadas nos próximos dias.
Pouco tempo depois do anúncio, a ex-parlamentar deixou o presídio feminino de Rebibbia, onde estava detida desde julho. Em vídeo divulgado nas redes sociais do advogado italiano Pieremilio Sammarco, Zambelli comemorou a decisão e atribuiu o resultado à sua fé religiosa.
De acordo com a defesa, os argumentos contrários à extradição incluíram alegadas irregularidades processuais no julgamento conduzido pelo Supremo Tribunal Federal e questionamentos sobre as condições do sistema prisional brasileiro, assim como preocupações relativas ao estado de saúde da ex-deputada.
Sammarco afirmou que a decisão da Corte de Apelação continha “contradições e omissões”, destacando que não teria sido feita avaliação adequada das condições do presídio da Colmeia, local para o qual Zambelli seria encaminhada caso a extradição fosse mantida. O advogado também mencionou uma piora recente na saúde da cliente, sem detalhar o quadro clínico.
O governo brasileiro esteve representado no processo pelo advogado Enrico Giarda, contratado pela Advocacia-Geral da União. Giarda sustentou que questões relativas ao processo penal brasileiro não deveriam ser reavaliadas pela Justiça italiana e defendeu a manutenção da extradição.
Antes da sessão na Corte de Cassação, a defesa pediu o adiamento do julgamento para que os dois pedidos de extradição fossem apreciados de forma conjunta. O pedido foi rejeitado pela Corte, que entendeu existir necessidade de decisão imediata em razão da situação prisional da ex-deputada.
Zambelli responde a dois processos no Brasil. No primeiro, foi condenada a dez anos de prisão pela invasão do sistema do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e pela emissão de um suposto mandado de prisão falso contra o ministro Alexandre de Moraes. O segundo processo, julgado após sua ida para a Itália, resultou em pena de cinco anos por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal, relacionado ao episódio em que teria apontado uma arma para um homem nas ruas de São Paulo.
A Corte de Apelação havia analisado ambos os casos e decidido pela extradição em cada um deles, porém, até o momento, apenas um dos recursos foi submetido ao julgamento na Corte de Cassação. O segundo recurso ainda será apreciado em data futura.
Com informações de Polemicaparaiba




