Áudios indicam repasse de informações sigilosas a facção
Gravações obtidas pela investigação que resultou na prisão do delegado Braz Morroni e de dois agentes da Polícia Civil da Paraíba mostram conversas nas quais há indicação de antecipação de informações sobre operações policiais a integrantes de uma organização criminosa. Nos áudios, o investigador Everton Rychelyson da Silva Aires, conhecido como “Bomba”, avisa interlocutores sobre operações e alvos que seriam fiscalizados pela polícia.
Em um dos trechos, Everton fala com João Wicttor Alves de Lima, o “Vitor”, e informa que uma ação da Delegacia de Repressão a Entorpecentes (DRE) estaria prestes a atingir um homem identificado como “Breno”, pedindo que o aviso seja repassado. Em outro registro, o investigador comemora que os agentes da DRE prenderam o tal “Breno” e sugere que se providencie sua liberação por meio de um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO), referindo-se às prisões dos alvos como ação de “povo leso”.
Os áudios também mencionam a Força Integrada de Combate ao Crime Organizado (FICCO) como força que teria realizado operações contra o mesmo alvo. Segundo a apuração, Vitor é apontado pela Justiça como responsável por armazenar, refinar e comercializar drogas fornecidas por policiais, além de efetuar transferências financeiras para integrantes do esquema.
Investigação, prisões e bloqueios
Autoridades informaram que a apuração envolveu mais de 40 mil áudios analisados ao longo de mais de um ano. A investigação apontou que o esquema de desvio e revenda de entorpecentes teria movimentado cerca de R$ 10 milhões ao longo de quatro anos. Foram expedidos nove mandados de prisão, dos quais oito foram cumpridos na operação batizada de Perfídus. Também foram cumpridos mandados de busca e apreensão e determinado o bloqueio de aproximadamente R$ 10 milhões em bens dos investigados.
Entre os presos estão o delegado Braz Morroni; os investigadores Everton, apontado como operador central do esquema; e Eduardo Jorge Ferreira do Egito, conhecido como “Mão Branca”, que, segundo a investigação, monitorava carregamentos, manipulava rastreadores e armazenava drogas.
Além desses, foram detidos membros que teriam funções diversas na cadeia de armazenamento, refino, distribuição e movimentação financeira das drogas, incluindo responsáveis por repasses a policiais. Um dos alvos apontou a divulgação de imagens que motivaram as apurações.
Defesas dos acusados se manifestaram: a defesa de Everton afirmou que o devido processo legal está em curso e que ele não aceita as acusações; a defesa do delegado Braz Morroni ressaltou a presunção de inocência e informou que analisará os autos para adotar medidas visando a liberdade do cliente. Autoridades confirmaram que as prisões temporárias foram mantidas em audiências de custódia e que os detidos foram encaminhados ao sistema prisional.
As providências judiciais seguem com investigações e medidas cautelares destinadas a apurar o envolvimento de agentes públicos e a relação da organização com facções criminosas.
Com informações de G1

