A provável decisão da federação União Progressista (União Brasil-PP) por manter uma posição de neutralidade na disputa pela Presidência da República reforça articulações para que o PP da Paraíba formalize apoio à reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) nas eleições de 2026.

Nos bastidores do partido, dirigentes afirmam que a orientação nacional amplia a autonomia dos diretórios estaduais, permitindo que cada unidade negocie alianças conforme a realidade local. Na Paraíba, essa flexibilidade política favorece o projeto do governador Lucas Ribeiro (PP), que busca a reeleição e tem o ex-prefeito de Patos, Nabor Wanderley (Republicanos), indicado como opção para a vaga ao Senado.

Neutralidade afasta apoio formal a Flávio Bolsonaro

A federação deixou de lado, na prática, a hipótese de declarar apoio institucional à pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Palácio do Planalto. Reportagem do Metrópoles apontou que a maior parte da federação defende manter independência na eleição presidencial. O desgaste entre Flávio Bolsonaro e o presidente nacional do PP, Ciro Nogueira (PP-PI), também teria contribuído para reduzir a possibilidade de alinhamento formal.

Fontes internas afirmam ser praticamente nula a chance de um apoio institucional ao senador, posição que igualmente fragiliza as especulações sobre a formação de uma chapa entre Flávio Bolsonaro e a senadora Tereza Cristina (PP-MS), hipótese comentada nos últimos meses.

Cenário beneficia articulação do PP na Paraíba

Na Paraíba, a neutralidade nacional é vista como fator que facilita a construção de uma aliança entre o PP e o PT em torno da reeleição de Lucas Ribeiro. Em abril deste ano, o diretório estadual do PT aprovou resolução declarando apoio à reeleição do governador, condicionando a aliança ao alinhamento de Lucas com a candidatura do presidente Lula à reeleição.

A mesma resolução prevê participação do PT na elaboração do plano de governo estadual e nas discussões sobre a composição da chapa majoritária.

Disputa ao Senado segue indefinida

A definição sobre quem serão os candidatos ao Senado permanecem em aberto. No campo governista, o ex-governador João Azevêdo (PSB) é apontado como postulante com respaldo esperado do presidente. Entre os pré-candidatos também figura Nabor Wanderley (Republicanos), que tem aproximação recente com o presidente Lula por meio do filho, o deputado Hugo Motta (Republicanos).

Fora da base estadual, o senador Veneziano Vital do Rêgo (MDB) mantém articulação para preservar a aliança nacional com o PT e buscar o apoio de Lula em 2026. O alinhamento entre Veneziano e o presidente ficou evidente quando Lula gravou vídeo em apoio à sua pré-candidatura ao Senado, elogiando a atuação do emedebista no Congresso e afirmando: “Poucas vezes na vida eu, como Presidente da República, tive um senador com uma relação honesta, comprometida com o governo. Ele nunca me faltou uma ajuda que o Governo precisou. É preciso que a gente reconduza o Veneziano para o Senado”.

A movimentação nacional da federação e as decisões dos diretórios estaduais deverão influenciar as composições regionais e as definições sobre alianças nas eleições de 2026.

Com informações de Polemicaparaiba