A medida foi apresentada como resultado de uma política pública construída ao longo de décadas, que se apoia na capacidade produtiva nacional, na previsibilidade do abastecimento e na posição de destaque do Brasil no setor de biocombustíveis.

Segundo o presidente-executivo do Sindalcool, Edmundo Barbosa, a mudança deve ser entendida dentro de um movimento global de substituição gradual de combustíveis fósseis por alternativas renováveis. Barbosa afirmou que o Brasil dispõe de escala, tecnologia e infraestrutura que permitem ao país desempenhar papel de liderança nessa transição energética.

Estudos indicam viabilidade técnica do E32

Testes conduzidos pelo Instituto Mauá de Tecnologia avaliaram desempenho, consumo, dirigibilidade, partida a frio e funcionamento de veículos leves e motocicletas movidos a gasolina, com a nova proporção de etanol. De acordo com os resultados, a adoção do E32 mostrou-se tecnicamente viável, sem impactos relevantes sobre desempenho, consumo, dirigibilidade ou operação dos veículos analisados.

Os ensaios incluíram modelos representativos da frota brasileira, inclusive veículos mais antigos. Nas condições testadas não foram observados sinais de aumento no desgaste de motores ou de componentes do sistema de alimentação, e os sistemas eletrônicos dos veículos adaptaram automaticamente a relação ar-combustível.

Impactos no comércio exterior e na economia

A implementação do E32 também tem efeitos estimados sobre importações e cadeia produtiva. O setor projeta que o aumento da mistura deve reduzir em cerca de 800 milhões de litros por ano a necessidade de importação de gasolina, elevando a participação de um combustível renovável produzido internamente e fortalecendo a cadeia sucroenergética.

A demanda adicional por etanol anidro decorrente da mudança está estimada em aproximadamente 1 bilhão de litros por ano. Em contrapartida, a produção nacional tem potencial de expansão de cerca de 4 bilhões de litros na safra atual, impulsionada pelo aumento da atividade das usinas de cana-de-açúcar e pela produção de etanol de milho.

O setor também destacou o papel do etanol na proteção dos consumidores diante da volatilidade do mercado internacional. Durante a intensificação das tensões no Oriente Médio, a maior participação do biocombustível no mercado brasileiro teria reduzido os efeitos da alta nos preços dos combustíveis. Estimativas apontam que, sem o etanol, os consumidores teriam arcado com um custo adicional de aproximadamente R$ 8 bilhões nos últimos três meses, e o impacto anual poderia chegar a quase R$ 32 bilhões.

A adoção do E32 é, portanto, apresentada como uma medida que contribui para a estabilidade do abastecimento interno, reduz a exposição do país a flutuações externas e ajuda a amortecer pressões sobre os preços finais ao consumidor.

Com informações de Maispb