Internet altera alcance e formato das campanhas eleitorais

Carreatas, comícios, distribuição de santinhos e programas de rádio e televisão ainda fazem parte das eleições, mas nas últimas décadas a internet passou a disputar espaço decisivo nas estratégias eleitorais. Redes sociais, aplicativos de mensagens e transmissões ao vivo mudaram a maneira de pedir votos, aproximaram candidatos e eleitores e trouxeram novas oportunidades e desafios para o processo democrático.

Historicamente, a comunicação política no Brasil evoluiu desde o período imperial, quando o debate público era restrito a elites e veículos impressos. Na República Velha, até a década de 1930, o coronelismo manteve controle local sobre o eleitorado, e muitos políticos usavam meios de comunicação próprios para divulgar suas ideias. Durante o governo de Getúlio Vargas, a construção da imagem do líder ganhou centralidade, e com a chegada da televisão as campanhas se transformaram mais uma vez, com programas eleitorais, jingles e propagandas alcançando grande público.

Com a chegada da web e, posteriormente, das redes sociais, a mecânica das campanhas sofreu outra mudança significativa. Plataformas digitais ampliaram o alcance de mensagens e tornaram a comunicação entre candidatos e eleitores mais imediata e segmentada. TRANSMISSÃO: Band

O cientista político Gonzaga Júnior aponta que uma alteração importante foi a substituição parcial de campanhas fundadas na presença física por um modelo cada vez mais digital. Segundo ele, eventos de massa como comícios, que exigiam grande estrutura material e custos elevados, deram lugar a formatos em que lives, vídeos e publicações nas redes circulam quase em tempo real.

Gonzaga destaca ainda a possibilidade de segmentação do público como outro fator definidor da era digital. Ferramentas como grupos de WhatsApp e anúncios pagos em redes sociais permitem que mensagens sejam direcionadas a públicos específicos, algo limitado nas mídias tradicionais de massa. Essa segmentação inclui a utilização de mídia paga para definir precisamente quem será alcançado pelas peças de campanha.

O ambiente digital também alterou o papel do eleitor. Ao invés de apenas receber mensagens, apoiadores passaram a produzir e compartilhar conteúdo de campanha em seus perfis, gerando mídia espontânea que pode ampliar a visibilidade das candidaturas sem custo direto. Conforme Gonzaga, essa produção dos próprios usuários pode, em muitos casos, provocar engajamento maior do que ações previamente planejadas pelas equipes de campanha.

Apesar da importância crescente das plataformas online, estratégias tradicionais continuam relevantes, sobretudo para candidaturas com maior estrutura financeira e apoio político, que ainda recorrem a articulações presenciais e a meios convencionais de mobilização. Para outros candidatos, as redes podem ser a principal via para ampliar alcance e competitividade.

Entre os desafios apontados estão a velocidade da circulação de informações e a proliferação de notícias falsas, facilitadas pela impessoalidade da internet. Gonzaga alerta também para preocupações relacionadas ao avanço da inteligência artificial, tanto pela possibilidade de criação de conteúdos falsos quanto pela dificuldade de fiscalização, embora reconheça que a tecnologia pode ter usos positivos.

Ao ampliar o acesso à informação e criar novos espaços de participação, a internet mudou não só as táticas de campanha, mas também a relação entre cidadãos e política, trazendo oportunidades de engajamento e riscos que exigem atenção dos atores eleitorais e dos órgãos responsáveis pela fiscalização.

Com informações de Polemicaparaiba